Brasileiro é o que mais consume notícias em dispositivos móveis

Pesquisa da comScore aponta que os brasileiros são os usuários que mais leem jornais por meio dos tablets. No que tange o acesso ao conteúdo, 31,8% do tráfego de notícias é oriundo do iPads. Em segundo figura o iPhone, com 21%.

O mais curioso é que os leitores consomem conteúdo duas vezes mais, via tablets, do que em PCs. O acesso móvel representa apenas 1% do total de acesso à Web.

Apesar da baixa popularidade, o iPad lidera o acesso à Internet, a partir de dispositivos móveis, com 32%, seguido pelo iPhone (21%) e em terceiro o Android (11,7%). O iPad também lidera o ranking do tablet mais utilizado no Brasil.

Jornal abandona site para atuar apenas no Facebook

O jornal hiperlocal Rockville Central, sediado nos Estados Unidos, abandonou a sua homepage (servirá apenas como arquivo das reportagens) para publicar suas notícias apenas no Facebook. As matérias são publicadas na aplicação “Notas” do FB.

O Rockville Central cobre uma pequena região dos EUA, com pouco mais de 60 mil habitantes. No comunicado oficial, onde o jornal explica a decisão de migrar integralmente para o Facebook, destacam:

“Se o Facebook é o lugar onde a maioria das pessoas dedicam seu tempo, por que ter uma Web separada das pessoas? Por que não irmos para onde as pessoas estão?”

Segundo o Rockville Central, via Facebook, o jornal recebeu a maior parte dos comentários e da participação, assim como boa parte dos seus visitantes – o Facebook fica em segundo lugar, atrás apenas do Google.

Apesar do entusiasmo, uma rápida observação da migração do Rockville para o Facebook, indica alguns problemas: a aplicação “Notas” não é adequada para a publicação de conteúdo devido a sua estrutura, é impossível criar tags para os posts ou um campo de busca específico, o Rockville Central também não tem gestão plena da publicidade e, por fim, está submetida as normas e regras do Facebook – que já deletou perfis por falarem de Osama Bin Laden, por exemplo.

The Falling Times: a queda das notícias

E se eu lhe disse que a imagem abaixo consiste na capa de um jornal. Sim, sem menu, chamadas, arquitetura e todos os aqueles elementos clássicos que fazem um jornal ser jornal.

A proposta do The Falling Times é diferente de tudo que já vi na internet e, em especial, no ciberjornalismo. A experiência é simples: as notícias caem (literalmente) na tela através de ícones. Ao passar o cursor nas imagens, surgem os títulos das reportagens (em inglês).

O melhor é que o The Falling Times é colaborativo. O site apresenta os ícones e oferece a possibilidade de classificá-los e a partir daí, as notícias são indexadas.

Os jornais baianos já descobriram o twitter?

O relógio marcava 17h45 quando uma amiga do trabalho me avisou sobre a manifestação organizada por moradores do Bairro da Paz. O marido dela, que passava pelo local, informou-lhe sobre o protesto, que depois descobri que fora motivado pela onda de violência que abateu-se sob a localidade.

Não perdi tempo e divulguei a informação via twitter, tendo em vista que a fonte era digna de confiança. Twittei às 17h46 e furei (ou seja, publiquei em primeira mão a notícia) a mídia baiana. Fiz o mapeamento da imprensa de Salvador e do interior do Estado e a primeira referência ao assunto fora realizado pela Rádio Sociedade AM, às 18h14. No A Tarde, o maior jornal da capital baiana, somente às 18h46 subiram a notícia.

O intervalo de tempo entre meu twitt e a publicação da Rádio Sociedade revela as falhas/ausência no aspecto dialógico/relacional dos media com os cidadãos. Escrevi um post onde argumento que o ciberjornalismo demanda uma mediação mais dialógica dos jornalistas com o seu público.

Penso que o twitter é uma ferramenta essencial para tal “conversa” com os leitores (principalmente pela quantidade qualidade dos alertas) e não apenas isso, o monitoramento dos twitt permite identificar em “tempo real”o que acontece na cidade. Por que os jornais não investem em um livestream das cidades onde fazem cobertura?

Twitter

Twitter

Tenho um questionamento ainda mais simples: os jornais baianos já descobriram o twitter?

Na volta para casa zapeava as rádios locais e todos os programas pediam aos seus leitores que ligassem para as redações e comentassem o que se passava. Muito interessante a experiência colaborativa que fora desenvolvida. Os ouvintes ligaram e comentavam o que dava para observar, uma moça estava mais próxima do protesto, disse que teve porrada, o que estava mais longe afirmava que esta tudo parrado. O mais impressionante é que os radialistas/jornalistas tinham como fonte apenas os seus ouvintes, não havia como deslocar a equipe de reportagem e, geralmente, as fontes oficiais não falam em momentos de crise.

Mas aí volta a minha inquietação: como os media se relacionam com as redes sociais/mídia colaborativa. Se monitorassem o twitter, por exemplo, teriam um belo material para complementarem sua cobertura, neste caso. Ainda é possível fazer jornalismo sem contar com a colaboração do público? Ou ao menos saber o que andam dizendo por aí?

Em paralelo a cobertura mode in colaborativa, os meus twitts sobre o protesto dos moradores do Bairro da Paz agendaram algumas reações no twitter:

Para o Leo Borges o twitt serviu para “facilitar” a sua mobilidade;
Belote lembrou do protesto passado e as três horas em que ele ficou parado;
Tiago Celestino avaliou os protestos
Gerson leu o twitt e se mandou para casa
Caio informou, via celular, para sua amiga os motivos do engarrafamento
Gabriela relatou sua aventura no engarrafamento

Jornais e jornalistas precisam aprender a se “relacionar” com as novas tecnologias de informação e comunicação e com o seu público, pois é deste conjunto que virão pautas, diálogos e quem sabe a própria manutenção da atividade jornalística.

Em tempo, o Pelosi me lembrou que a AGECOM já utiliza o twitter na divulgação de conteúdo.

*twitter – leia-se microblogs

Plenária de comunicação em Salvador reúne 662 participantes

A comunicação é um direito e não existe democracia sem a democratização dos meios de comunicação. Estas foram as duas “macro-teses” defendidas na Plenária de Comunicação de Salvador, etapa preparatória para Conferência Estadual de Comunicação, a ser realizada de 14 a 16 de agosto, na capital baiana.

Vale ressaltar que a Bahia é o primeiro Estado do Brasil a realizar a Conferência de Comunicação.

O evento, que fora realizado ontem, na Escola Parque, na Caixa D`Água, reuniu 662 representantes de movimentos sociais, ONG`s, partidos políticos, sindicatos, terreiro de candomblé, comunicadores e muitos estudantes dos territórios da Região Metropolitana de Salvador e do Recôncavo.

O grupo teatral “1 de maio” abordou a relação da política com rádios comunitárias, quase sempre de dominação ou apropriação das rádios por agentes políticos em busca de “voto” e/ou capital simbólico.

Grupo teatral 1 de maio

A mesa de abertura contou com a presença da presidente do Sindicato dos Jornalistas da Bahia (Sinjorba), Kardé Mourão, do presidente do Conselho Estadual de Cultura, Albino Rubim, representante do Sindicato dos Radialistas e Publicitários da Bahia, Everaldo Monteiro, André Araújo, representante da Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação, secretário de Comunicação do Estado, Robinson Almeida e do representante do GT Comunicação, Giovandro Ferreira.

Mesa de abertura

Ambos destacaram a importância do debate para a construção democrática de políticas públicas para a comunicação, visando a promoção da cidadania e a inclusão social. Outro ponto abordado fora a “ativação” do Conselho Estadual de Comunicação, que já existe em lei e no papel continua.

Como a comunicação e as novas tecnologias podem ser apropriadas objetivando a cidadania e a transformação social fora a tônica do eixo temático Cidadania e TIC`s, do qual participei e fui eleito representante para a etapa estadual. Sivaldo, do Intervozes e Fabiana do CMI e Ponto de Cultura fizeram o papel de sensibilizadores comentando software livre, TV Digital, liberação do pólo emissor e as reconfigurações no fluxo comunicacional (um-todos para todos-todos), cultura digital…

Entretanto a turma do Grupo de Trabalho (GT), formado basicamente de estudantes, puxou o debate para a profissionalização, a necessidade na mudança curricular nas escolas para capacitar os alunos no que tange as novas tecnologias e linhas de crédito para fomentar a compra de computadores por pessoas de baixa renda.

Sinceramente, não esperava grandes debates neste GT, a começar pela quantidade de inscritos para o eixo temático. Enquanto Políticas Públicas de Comunicação formou cinco salas com 30/35 pessoas em cada uma, Cidadania e Novas TIC rendeu apenas duas salas com 25 na nossa e 20 na outra.

Além disso, cabe lembrar que a Bahia ocupa a 20ª posição entre os 27 estados brasileiros no ranking de acesso à web. Na Bahia, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (Pnad), 87,1% dos baianos com idade acima de 10 anos não acessaram a internet em 2005. Apenas 12,9% dos baianos com idade acima de 10 anos – 1.443.600 pessoas – tiveram acesso à internet. Logo, era esperado que o centro do debate fosse a inclusão sócio-digital.

Por isso, a proposta principal (cada grupo precisava selecionar apenas um ponto) do GT fora a transformação dos Centros Digitais de Cidadania em “Centros de Comunicação Pública”, formado por equipe multidisciplinar (artistas, professores, comunicadores…) para compartilhar conhecimento, sendo a gestão compartilhada com a comunidade, visando adequar as atividades dos Centros mais próximas das pessoas e de acordo com a realidade local.

Quem paga a conta é o poder público e/ou iniciativa privada. Além disso, esses Centros de Comunicação Pública devem ter equipamentos multimidiaticos para fomentar a produção da comunidade. A idéia é a criação de um portal colaborativo para veiculação dos produtos realizados nos Centros e que as escolas, associações comunitárias/moradores e afins utilizem também os Centros para educar/profissionalizar.

Nos corredores ainda conversei sobre a campanha da FENAJ pela defesa do diploma com o SINJORBA, criação da TV Comunitária em Salvador, jornalismo, blogs (com os novos conhecidos Eliel e Marcos da Cruz) e algumas experiências sócio-culturais envolvendo tecnologia e educação e assinei o abaixo-assinado pela Conferência Nacional de Comunicação. Por fim, aplaudi a palestra do prof. Emiliano José que alertou ao plenário “o jornalismo precisa servir a sociedade e não ao capitalismo”.

Fiz a cobertura via twitter, a Jacy Coelho esteve lá e escreveu um post e a AGECOM fez a cobertura da Conferência.

*Fotos do Roberto Viana/AGECOM

Notícias no Google Earth

É o que informa o post do JW. O Google anunciou nesta semana que adicionou o seu canal de notícias (Google News) ao Google Earth. Com isso, o sistema organizará e irá apresentar as notícias nos locais que elas ocorreram.

Penso que a iniciativa reforça a noção pós-massiva dos medias, que vincula-se à um determinado lugar porém com apelo global. As criaram novos sentidos e/ou apropriações do território, existe uma nova forma de se relacionar com o território, de transitar pelo espaço (segundo André Lemos espaço é movimento), bem como a criação de lugar (lugar é pausa, repouso, fixação na definição do professor).

O anúncio do Google me fez lembrar a tese do Anthony Townsend. Segundo ele, devido a uma população cada vez mais numerosa, sendo 90% urbana, será necessária uma comunicação global e permanente, o que ela chama de geoweb.

“Não se trata só de instalar nas ruas aparelhos públicos dos quais acessar a Internet, mas ter dispositivos que nos permitam obter informação sobre o lugar, tanto oficial quanto os comentários ou as fotos das pessoas que já estiveram lá. Haverá em cada cidade um arquivo e uma memória de tudo o que acontece”.

Ciber.Comunica 3.0, parte III

No último dia do Ciber.Comunica 3.0 boas palestras sobre jornalismo mobile e tecnologia bluetooth, com a presença de Macelo Medeiros e do amigo Fernando Firmino. O aúdio das palestras estão aqui. Fiz uns vídeos com a máquina de Firmino, assim que ele publicar compartilho. Acompanhem também a cobertura realizada pelo blog do evento.

Medeiros abordou a temática “Sistema de Distribuição de Conteúdo Jornalístico via Conexão Bluetooth”, onde fora evidenciado a função pós-massiva do bluetooth e como a distribuição de conteúdo configura-se por nichos de mercado e um público-alvo cada vez menor, o que demanda uma maior personalização da informação a ser distribuída.

Durante a palestra alguns pontos curiosos: bluetooth foi o sobrenome de um rei viking, Harald Bluetooth que se destacou por sua postura diplomática (bom de papo) na condução do reino no século X. O ícone do bluetooth representa a letra H e B do alfabeto nórdico. O raio de extensão da tecnologia alcança de 1 a 100 metros. A invasão de privacidade será um desafio para os produtores de conteúdo mas diversas pessoas e grupos usarão a tecnologia para o ciberativismo, arte, bate-papo e afins.

Medeiros apresentou a interessante proposta do “Bluetooth News” que fora apresentada ao Grupo A Tarde para utilizar a tecnologia bluetooth na distribuição do conteúdo jornalístico em Salvador. Fico na torcida para que o A Tarde feche a parceria e dê um passo importante para “atualizar” o jornalismo baiano.

Jornalismo Móvel

Fernando Firmino abordou a temática “jornalismo mobile” tema da tese do seu doutorado (in curso) De quebra ainda ganhei um demonstração das funcionalidades do Iphone. Já conhecia o aparelho, mas Firmino fez algumas observações interessantes sobre como o Iphone (e demais dispositivos móveis) poderá potencializar o “fazer” jornalismo em mobilidade, perspectivas sobre o 3G (acredita ele que a tecnologia terá um bom desenvolvimento no Brasil, visto que não temos a popularização das redes wifi, como em países da Europa e América do Norte, por exemplo).

Segundo ele, a mobilidade já estava presente na velha mídia, com a internet houve uma potencialização desta, principalmente no quesito portabilidade, tendo em vista os aparelhos celulares cada vez mais completos com ferramentas que permitem a criação e o envio in loco do fato/notícia. Para aqueles que ainda morrem de medo que a tecnologia acabe por esvaziar as redações, Firmino sinalizou que as redações fixas e móveis irão co-existir, exemplo bastante claro com a exibição do vídeo do projeto desenvolvido pelo Jornal do Commercio.

Firmino defendeu também a relação/efeito “remediação” das novas tecnologias de informação e comunicação com os mass media. Uma não surge para detonar a anterior, mas elas se complementam. E sinalizou que o contexto tecnológico, no qual está inserido o debate sobre jornalismo móvel é da Ubiqüidade – que tem como grande destaque a ultrapassagem dos limites temporais e geográficos, o que mudará a concepção e relação com o mundo. A metáfora aqui é a rede. O conhecimento valoriza a sabedoria das multidões e a produção coletiva de conteúdos. Esse movimento rompe com a concepção passiva das massas, para um público ativo, co-autor das mensagens e significados culturais.