Análise do site do Correio


Se excelente fora a palavra para definir o novo Correio, em sua versão impressa, péssimo é o resultado final da avaliação do site do Correio. Para não ficar só nos adjetivos negativos adotarei como metodologia os pontos-chaves, propostos pelo professor Marcos Palácios, para pensarmos o ciberjornalismo. A saber:

1- Interatividade – capacidade de fazer com que o leitor/usuário sinta-se parte do processo noticioso, ou literalmente interaja com o conteúdo.

2- Personalização –
opção oferecida ao usuário para configurar os produtos jornalísticos de acordo com os seus interesses individuais. Assim, quando o site é acessado, este já é carregado na máquina do usuário atendendo aos padrões previamente estabelecidos, por exemplo.

3- Hipertextualidade –
possibilidade de interconectar textos através de links.

4- Multimidialidade –
convergência dos formatos das mídias tradicionais (imagem, texto e som) na narração do fato jornalístico.

5- Memória – o acúmulo das informações é mais viável técnica e economicamente do que em outras mídias. A memória pode ser recuperada tanto no nível do produtor da informação como do usuário.

Aplicando tais conceitos na análise do Correio temos o seguinte resultado:

Interatividade –
está restrita ao “comentário”, “indique” a matéria por e-mail e o fórum de discussões, interação reativa, só isso. Chats com jornalistas, troca de e-mails entre leitores e jornalistas ou debate aberto no sítio jornalístico, por exemplo, não fora explorado pelo Correio. Existe ainda as tradicionais enquetes, que não teve nenhuma relação com o conteúdo abordado. Uma das perguntas do dia foi: O que você prefere: acarajé, abará, tanto faz.

Fiquei hiper feliz ao ver a seção “VC no Correio”. Pensei que iria encontrar um ode à produção colaborativa, mas tudo o que tinha lá foi imagens enviadas por leitores (aliás como eles mandaram as fotos?), enquetes e uma espécie de “opinião do leitor” velha de guerra.

É inacreditável que em uma seção com este título não tenha sequer uma frase/botton: Mande sua notícia. Colabore com o Correio. Aqui você faz a notícia. Ou o simples: Sugira uma pauta…

Impossível produzir o jornal com “o que a Bahia quer saber” sem levar em conta o conteúdo colaborativo.

2- Personalização – não existe.

3- Hipertextualidade – Onde estão os links do Correio? Certamente deve ter dado algum erro na página. A turma vai produzir jornal na internet, sem conteúdo relacionado? Sem hipertexto?

É primário dizer, mas o hipertexto é a estrutura básica de um texto na web.

4- Multimidialidade – Tem também uma seção chamada Multimídia. Narrativas jornalísticas com videocast, podcast, infográficos potencializando a forma de se contar as histórias? Nada disso, vídeos do You Tube e afins, assim como a Galeria de Imagens.

Penso que não faz sentido a seção Multimídia. O conteúdo multimídia deve estar integrado à matéria, assim como os hipertextos.  Será que a seção “multimídia” não passará de um depósito de vídeos e imagens?

5- Memória – Acreditem. Apenas na editoria 24h existe um campo destinado a busca por notícias. Jornalismo em Base de Dados nem pensar.

Para os que chegaram até aqui, certamente, não se assustarão quando eu comentar que os as colunas estão travestidas de blogs, que o layout dos blogs é pior do que o zip.net do UOL, que não há links externos e também estão descontentes com a falta de diálogo do Correio com os blogueiros baianos. No mínimo poderiam lançar o obsoleto modelo Yahoo Post!, algo como Correio Post!.

As matérias devem ter mais de seis linhas. Objetividade não significa “castrar” informações úteis para a compreensão do fato. A navegabilidade está prejudicada com a mono-editoria 24h. Talvez se adicionassem um sub-menu nesta seção apresentando o leque de sub-editoras e o conteúdo fosse agregado/classificado por sub-editorias torne mais agradável “navegar” no site, afinal eles já sabem que o leitor não tem tempo a perder. Eu perdi muito tempo procurando informações.

Mas, cabe registrar que, numa média de 5 minutos, uma informação é publicada no site, ou seja, a turma está produzindo, falta mesmo organizar o conteúdo e apresentá-lo melhor. Além disso, falta RSS, um microblog, blog da redação (mas um blog mesmo), infográficos, previsão do tempo, animar a página, melhorar a dinâmica da arquitetura, o jornal está sem vida. Corrigir as quebras de linhas. Definir o que é realmente interessante, o que merece destaque. O site é um mosaico. Melhorar o flip. Aumentar a fonte da manchete…

Existe uma tecla “delete”. Apertem-na.

Tenho certeza que o site passará por mudanças. A equipe do Correio já mostrou que tem potencial, vejam o impresso…magistral, primoroso, cândido, harmonioso.

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Análise do novo Correio da Bahia, agora só Correio

Correio

Excelente. Esta é a melhor palavra para definir o novo Correio em sua versão impressa. O formato Berlinder
facilita a leitura e o manuseio do jornal. O projeto gráfico fora elaborado por Guillermo Nagore, designer do The New York Times. Já o site…putz!…Deixarei para amanhã a análise.

Com um cabeçalho mais compacto e nome das editorias em destaque é fácil “navegar” pelo Correio e encontrar o que se procura. Gostei também da tipologia, deu um “ar” mais moderno ao jornal. O texto curto, preciso, objetivo aliado as fotos e infográficos tornam o conteúdo mais leve, um convite à leitura. Porém, os grafismos utilizados para destacar citações poderiam ser maisclean. Usaram uma aspas do tempo dos linotipos.

De cara, observei uma mudança qualitativa na pauta, fugindo do chapa-branquismo que imperava no Correio. Falar de isenção/equilibrio ainda é cedo, e demanda uma análise mais científica.  Algumas matérias, contém ramificações/evolução da pauta, como “Acordes furtados” da Mariana Rios, onde aborda o furtos de instrumentos musicais. A repórter ouviu bastante gente, trouxe dados, histórias e alternativas encontradas pelos músicos para “driblar” os assaltantes. O melhor é que a matéria fora dividida em alguns blocos autônomos, mas interligados, ou seja você pode ler apenas um bloco e entender a matéria, mas ao ler todo o conteúdo tem uma dimensão maior do problema.

O jornal estampou uma foto da equipe, formada por quase 200 colaboradores. A turma é bastante nova (mais tem é moça bonita!!!), o que revela que o Correio tirou alguns “dinossauros”, o que já explica algumas mudanças na concepção do veículo.

Já falei da mudança na redação, inspirada no The Daily Telegraph, com o SuperDesk.

A palavra-chave é planejar, diz o texto de apresentação do novo Correio, que irá trabalhar “para que o leitor tenha menos trabalho em entender o que é preciso saber”. Da maneira mais didática, direta, clara  e sem rodeios.(…) O jornal trabalha com dois ritmos. Histórias e notícias.

Por fim, citaram a frase: “A melhor notícia não é a que se dá primeiro, mas a que se dá melhor”, do Gabriel García Márquez”. Notícias melhores. É o que esperamos do novo Correio, que custa agora R$1 (segunda a sexta) e R$ 1,50 no domingo.

Correio da Bahia lança nova versão nesta quarta-feira

Nova "cara" do Correio da Bahia

Nova "cara" do Correio da Bahia

Nesta quarta-feira (27) será lançada a nova versão impressa do Correio da Bahia. O formato será o Berliner e irá valorizar imagens e textos curtos. O produto já fora apresentado ao mercado publicitário e diversos outdoors foram espalhadas em Salvador anunciando as boas novas.

Novos profissionais foram contratados e novas editorias foram criadas para dar mais dinamicidade ao conteúdo, como 24 horas, com notícias rápidas; uma segunda com matérias mais completas; a terceira com reportagens sobre comportamento; e a última destinada a cobertura esportiva.

O vídeo abaixo ilustra algumas dessas alterações

Além disso, o Correio da Bahia está a redesenhar a estrutura física buscando para comportar a característica multimídia que o veículo pretende trilhar.

De acordo com a Innovation, empresa de consultoria e design responsável pelas mudanças no jornal baiano, eles foram contratados para reinventar o veículo, mesmo que para isso fosse necessário mudanças drásticas. Ainda de acordo com a Innovation, o novo Correio da Bahia “não irá roubar leitores de outros jornais, mas irá criar novos”.

Correio da Bahia terá redação multimídia

Já havia comentando as mudanças que o Correio da Bahia tem desenvolvido para dar um upgrade em seu produto. Paralelo a mudança do formato do jornal, que adotará o Berlinder para a versão impressa, o Correio da Bahia está a redesenhar a estrutura física buscando para comportar a característica multimídia que o veículo pretende trilhar.

A consultoria cabe a Innovation, uma das mais importantes do mundo. Agora vamos esperar que a filosofia/conceitos sejam traduzidos na produção diária do jornal da família do ACM.

Confira as fotos. (mais imagens aqui)

Antes

Depois


Via Fermando Firmino, no Gjol

Correio da Bahia terá cara nova

Berliner. Este será o novo formato do Correio da Bahia, jornal ligado a familia do ex-cacique ACM. Após a morte de ACM e a eleição de Jaques Wagner para governar a Bahia (PT) colocou em xeque o modelo de negócio do Correio da Bahia, que sempre mamou nas tetas do governo estadual e agora precisa desenvolver alternativas para continuar vivo.

A primeira mudança foi no comando, delegado ao jornalista Rodrigo Cavalcante para dar uma nova cara ao jornal, despindo-se do chapa-branquismo. Mudanças na equipe, deletaram alguns cadernos e, principalmente, mexeram no editorial do veículo que tornou-se, digamos, menos isento, que resultou na melhoria do produto. Sejamos justos. Atualmente, o Correio da Bahia é um jornal que pode ser lido. Ufa!

De acordo com a reportagem do Jornalistas&Cia, além do formato, o Correio da Bahia irá apostar em fotos maiores e textos curtos, visto que o tempo médio gasto na leitura de um jornal impresso são 20 minutos. (Sugiro a leitura deste post, onde o editor de arte da Folha de São Paulo, Fábio Marra comenta sobre atenção, infografias e comportamento dos leitores). Haverão mudanças também na estrutura editorial do Correio que passará a contar com quatro seções:24 horas, com notícias rápidas; uma segunda com matérias mais completas; a terceira com reportagens sobre comportamento; e a última destinada a cobertura esportiva.

Ao que tudo indica até o final de setembro o “novo” Correio da Bahia estará nas ruas. Depois do impresso, quem sabe não mudam a site do Correio…

Leia uma análise do site do Correio da Bahia