Brasileiro é o que mais consume notícias em dispositivos móveis

Pesquisa da comScore aponta que os brasileiros são os usuários que mais leem jornais por meio dos tablets. No que tange o acesso ao conteúdo, 31,8% do tráfego de notícias é oriundo do iPads. Em segundo figura o iPhone, com 21%.

O mais curioso é que os leitores consomem conteúdo duas vezes mais, via tablets, do que em PCs. O acesso móvel representa apenas 1% do total de acesso à Web.

Apesar da baixa popularidade, o iPad lidera o acesso à Internet, a partir de dispositivos móveis, com 32%, seguido pelo iPhone (21%) e em terceiro o Android (11,7%). O iPad também lidera o ranking do tablet mais utilizado no Brasil.

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Acessar redes sociais é o principal uso mobile

Pesquisa da Acision indica que o acesso as redes sociais é o principal uso que os cidadãos fazem no Brasil, quando o assunto é acessar a Web por meio do celular. O estudo frisa ainda que o uso do e-mail nos aparelhos móveis foi menor do que o acesso as redes sociais, nos últimos três meses.

O Facebook, com 65%, é o principal site acessado na categoria redes sociais, seguido pelo Orkut (60%) e pelo Twitter (44%). No total, as páginas de relacionamento totalizam 32% do tempo gasto na navegação via celular. Demais sites representam 19% (segundo lugar) e e-mail, 17%.

Banda larga no Brasil é possível?

Sim e não. Vamos começar pelos aspectos negativos que inviabilizam a universalização da banda larga. Não restam dúvidas de que a política escrota de implantação e cobrança das operadoras que comercializam o serviço é o principal entrave para popularização.

De acordo com o estudo realizado pela Cisco (empresa de roteadores e switches), as operadoras de telefonia despertaram interesse em apenas 62% das cidades brasileiras. Entretanto, conforme o art 8º do Plano Geral de Outorgas as prestadoras de serviços de telecomunicações devem universalizar o acesso à banda larga.

Ainda de acordo com o estudo será preciso investir R$ 1,28 bilhão na construção de “backhaul”, que permite a formação da rede (seja por rádio, fibra-optica e linhas privativas). As operadoras já avisaram que não vão inve$tir em localidades que gerarem lucro, ou seja, 37% dos municípios brasileiros continuarão sem acesso à banda larga, caso o governo federal não tome uma atitude firme. Para isso, o primeiro passo é tornar a banda larga um serviço público e exigir que o art 8º seja efetivado.

Agora, para equilibrar o debate o aspecto positivo: avançam os estudos sobre a utilização da infra-estrutura de redes elétricas para disponibilizar o acesso a internet a uma velocidade de 200 Mbps. A Anatel aprovou a criação de uma consulta pública sobre esta alternativa.

O método é mais barato, já que a rede elétrica poderá ser utilizada na distribuição do sinal e não será preciso construir backhaul. Além disso, para os 37% de cidades excluídas dos intere$$es das prestadoras de serviços de telefonia, parece-me ser a alternativa mais viável, sem falar para a população de baixa-renda.

Muita opinião e pouca reportagem nos blogs jornalísticos

Esta é a conclusão de um estudo do Ramón Salaverría acerca dos blogs jornalísticos na Espanha.  “El estilo del blog periodístico: usos redaccionales en diez bitácoras españolas de información general” é o título da pesquisa que fora apresentada no I Congreso de la Asociación Española de Investigación de la Comunicación (AE-IC), que concluiu:

– o principal gênero jornalístico destes blogs é a interpretação e/ou opinião

– ao contrário do que se pensa: os blogs jornalísticos não substituiram o mainstream midiático

Hablando en plata: que los así llamados blogs periodísticos apenas aportan noticias propias sino, sobre todo, opiniones y que, lejos de ser una alternativa periodística de los medios tradicionales, están constituyéndose por el contrario en su caja de resonancia en internet, diz Salaverría.

Dicas de livro

Achei interessante a sinopse do livro Indústria de Notícias: capitalismo e novas tecnologias no jornalismo contemporâneo, da Virginia Fonseca. Na obra é analisado o declínio da notícia de interesse público em favor de matérias de prestação de serviços e de entretenimento, que para “autora aprofunda o caráter de mercadoria das notícias e dos jornais e, conseqüentemente, reduz a função social da atividade jornalística”.

Já a relação entre gênero e comunicação é a temática explorada no livro Comunicação e gênero – A aventura da Pesquisa, da Ana Carolina Escosteguy (PUCRS). A obra está disponível para download gratuito.

Mutualismo, fontes, esfera pública e jornalismo

Estudo do Brodeur Media Survey (dica do GJOL) acerca do impacto das mídias sociais sobre a cobertura jornalística nos Estados Unidos revela: as mídias sociais contribuíram positivamente para a diversidade na cobertura jornalística, segundo os próprios jornalistas.

O que mais chama atenção são os seguintes dados:

– os repórteres cobrindo jornalismo político e tecnologia são os maiores utilizadores de mídias sociais, sendo que 65% dos jornalistas políticos lêem blogs com regularidade e 36% blogam como parte de sua atividade jornalística.

É certo que a realidade dos medias norte-americanos é diferente da mídia brasileira, mas os dados evidenciam uma esfera pública com novas características. Tal mudança é essencial também para entender a flexibilização do oficialismo das fontes autorizadas/especialistas vigente nos jornais para a ampliação de outros discursos com a liberação do pólo emissor.

Entendo dois estágios para esfera pública (sociedade de massa e sociedade em rede):

A sociedade de massa é caracterizada por:

  • Separação entre a esfera pública central e esferas públicas periféricas;
  • Processo de debates fortemente hierarquizados e unidirecional;
  • A busca dos grupos ideológicos pelo domínio da esfera pública, o que pode garantir, conseqüentemente a opinião do público;
  • O fluxo comunicacional se dá: um-todos.

Já na sociedade em rede:

  • Existe comunicação entre as esferas pública (central x periférica)
  • Os meios de comunicação são formatados em rede, o que possibilita a descentralização do debate.
  • O fluxo comunicacional torna-se multidirecional e em vários níveis.

Contudo, o alargamento do campo jornalístico, a utilização da mídia social e a validação de outros fontes na cobertura jornalística traz o seguinte desafio:

67% deles (jornalistas) opinam que tiveram efeito negativo quanto ao rigor no material divulgado.

A tal credibilidade é o grande aspecto discutido quando o assunto é o conteúdo colaborativo. E parece-me que a “apuração” precisa estar atenta ao apropriar-se da mídia cidadã. Afinal o conteúdo open source, neste caso, precisa de uma validação do jornalismo para configurar-se como notícia. Por outro lado, o estudo Brodeur Media Survey ratifica o conceito (mutualismo) que tenho trabalhado em minha pesquisa acerca da relação mainstream midiático e produção open source.

Penso que esta relação pode ser explicada com o conceito do mutualismo (tomado de empréstimo das ciências biológicas) que consiste na interação entre duas espécies que se beneficiam reciprocamente da relação. Existem duas modalidades de mutualismo: simbiose ou facultativo. A simbiose afirma que as duas espécies não podem viver separadas. Acho que tal modalidade não se aplica no convívio entre mídias. Já o facultativo parece-me explicar melhor essa relação, uma vez que protocooperação sinaliza que as duas espécies podem viver independentemente ou trocar de parceiro.

Por fim, dificilmente os mass media deixaram de ser o pólo central do preenchimento da esfera pública e fonte para a produção de conteúdo das novas mídias. Creio que a internet proporcionou poucas rupturas, mas grandes continuações, no jornalismo, algo como uma remediação, onde o “novo” não surge para aniquilar o antigo, mas para complementar, remixar….

Além da TV

Jovens da América Latina preferem a internet à televisão. A conclusão é do estudo da Telefónica realizado com 22.000 estudantes de mais de 200 centros educativos de Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, México, Peru e Venezuela, e que foi realizado entre julho e outubro de 2007.

Cerca de 42% dos jovens de 11 anos indagados prefere a internet à televisão e a percentagem sobe para 60% no segmento de adolescentes entre 14 e 15 anos.

Cabe destacar que o “problema” que revela a queda de popularidade da tv diz respeito tanto ao suporte (a tv com seus horários determinados) como a programação da tv brasileira (um-todos), visto que boa parte da audiência ainda consome os produtos do mainstream midiático na web.