A importância do diploma para o jornalismo

Diploma

Primeiro quero deixar claro que esse papo de que só existirá jornalismo de qualidade com profissionais formados em universidades/faculdades é uma fraude. O que irá garantir a qualidade do jornalismo é a formação cidadã do profissional e veículos de comunicação voltados para o interesse público, onde a notícia seja o ponta pé inicial para o debate público e não moeda de troca no mercado publicitário ou aquilo que separa os anúncios, como diria o Chatô.

Dito isso, lutar pela defesa do diploma é defender um dos campos sociais mais importantes da contemporaneidade: o jornalismo. Estou aqui a defender não jornalismo canalha do mainstream midiático, mas aquela atividade profissional, talvez utópica, obsoleta, ultrapassada, onde o jornalista é um agente social e cria uma forma específica de informação organizada e portanto, uma forma de conhecimento.

O jornalismo é um campo social, de acordo com o sociólogo francês, Pierre Bourdieu, que compreende campo como o funcionamento das sociedades complexas, ou seja, suas regras, estruturas hierárquicas, funções e posições. O campo também é o palco de luta entre os atores do microcosmo visando se apropriar de um capital (seja ele simbólico, financeiro) do campo.

Resumidamente, cada campo corresponde à um habitus e estabelece os valores e formas de acesso (o diploma para ingressar na atividade jornalística, por exemplo) ao campo. Não sou tão otimista como os coleguinhas da FENAJ, que escrevem no manifesto:

“A manutenção da exigência de formação de nível superior específica para o exercício da profissão, portanto, representa um avanço no difícil equilíbrio entre interesses privados e o direito da sociedade à informação livre, plural e democrática”.

Vocês poderão ver o meu nome no abaixo-assinado, não porque concordo com a tese acima, tendo em vista que encontrar o equilíbrio entre os interesses privados e o direito da sociedade informação livre depende muito mais sistemas de responsabilização dos media (MAS – de Media Accountability Systems) para lembrar do Bertrand, que propunha códigos de conduta, a informação e crítica sobre os media, a investigação científica, os conselhos de Imprensa, a alfabetização mediática para monitorar e elevar a qualidade dos mass media, mas porque acredito no jornalismo como profissão, produção de informação e conhecimento.

E o diploma nesta história é o passaporte para o ingresso campo social, a sua defensa é sinônimo da reserva de mercado, porém, simbolicamente, a movimentação nacional pela defesa do diploma revela a agonia por que passa jornalistas e jornalismo com as novas tecnologias de informação e comunicação e a liberação do pólo emissor. Nunca a atividade jornalística fora tão criticada. Nunca os jornalistas foram tão desnecessários em tempo de web 2.0, blogs e cidadãos-repórteres.

Isso é ótimo, porque força os apáticos jornalistas a lutarem pela legitimidade da profissão. Tal luta trará consigo também o debate sobre as escolas de jornalismos: Qual o papel das escolas? Investir na crítica ou na técnica? Priorizar a formação para o mercado ou apostar na formação humanista do jornalista, para que este entenda-o e se posicione diante dele?

E o mercado? Poderá casar qualidade com rentabilidade? Apostará na reciclagem constante da sua equipe ou ainda é melhor três estagiários a um profissional?

“Depois de 70 anos da regulamentação da profissão e mais de 40 anos de criação dos Cursos de Jornalismo, derrubar este requisito à prática profissional significará retrocesso a um tempo em que o acesso ao exercício do Jornalismo dependia de relações de apadrinhamentos e interesses outros que não o do real compromisso com a função social da mídia”, diz o já citado manifesto da FENAJ.


Campanha pelo diploma na Bahia

Aqui em Salvador, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia – SINJORBA está a organizar um Ato Político da Campanha em Defesa do Diploma de Jornalista, da Regulamentação Profissional e à Obrigatoriedade de Formação Superior para o Exercício da Profissão.

O ato político acontecerá hoje, as 18h30 no Auditório da OAB-Bahia,Fórum Teixeira de Freitas, Piedade.

A motivação do ato

O Supremo Tribunal Federal (STF) está prestes a julgar o Recurso Extraordinário (RE) 511961 que, se aprovado, vai desregulamentar a profissão de jornalista, porque elimina um dos seus pilares: a obrigatoriedade do diploma em Curso Superior de Jornalismo para o seu exercício.

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Grampinho Não!

Tudo bem que na Bahia a internet não será utilizada da mesma forma e com o mesmo peso, durante o processo eleitoral, como nos Estados Unidos. Entretanto, as primeiras ações começam a aparecer. Ações ironicas é claro.

A hiper-divertida campanha (Não deixe grampinho chegar a Salvador), que está no ar é contra o nome do deputado federal ACM Neto a prefeitura de Salvador. Para isso fora elaborado um game onde o objetivo é “destruir” os grampinhos (apelido do ACM Neto, após o seu avô ACM ter violado o painel do Senado para se beneficiar da votação. A pressão da sociedade foi tão grande que ACM, o avô, se afastou do cargo para não ser punido) e impedir que ele chegue a Salvador.

O jogo é uma releitura do “Space Invaders”, clássico do console Atari, febre na década de 1980. Os advogados do deputado, inultimente, tentam descobri o “autor” do que eles consideram um crime contra a honra (?) (calúnia, injúria e difamação). O domínio está registrado nos Estados Unidos, em nome de uma empresa de sexy shop e o responsável intitulado Jorge Amado.  Em entrevista ao A Tarde, ACM Neto disse que o site “Grampinho Não” não vai lhe trazer prejuízos, ao contrário, pode até mesmo lhe beneficiar. Será mesmo deputado? Veremos…

Va , jogue, ganhe e compartilhe…

* post sem imagens devido aos proxys da conexão wi-fi do hotel.

Campanha contra o PLC 89/03

A campanha contra o PLC 89/03, proposta pelo Sergio Amadeu começa a circular na internet. Escrevi sobre os erros do PLC 89/03 neste post.  Lá no flickr existem alguns banners para serem utilizados.

Vamos lá. Juntos fizemos mais de 8 milhões de downloads do Firefox3.  Vamos defender a liberdade, neutralidade e a privacidade na rede.

Bloggers Unite For Human Rights

É o título da campanha (algo como blogueiros unidos pelos Direitos Humanos) promovida pela rede de blogs BlogCatalog em parceria com a Anistia Internacional, que será realizada dia 15 de maio na blogosfera mundial. A idéia da campanha é fazer da data, um dia destinado ao debate conjunto e global acerca dos direitos humanos.

Para isso, os blogueiros participantes devem colaborar com textos, vídeos, aúdio, slides e afins sobre a temática e seguir os pontos:

1- adicionar um banner sobre a campanha no blog

2- no dia 15 escrever sobre a temática em seu blog (obviamente!)

3- compartilhar o post no Bloggers Unite Group

A organização da campanha global colocou a disposição uma série de banners para divulgação do Bloggers Unite For Human Rights. Existe também um grupo de debates sobre o evento.

Dia Internacional pela Liberdade de Expressão na Internet

Este post integra o chamado ciberativista global da Ong Repórteres Sem Fronteiras – RSF, que realiza hoje (12 de março) ações em diferentes países para denunciar a censura na internet, principalmente contra os autores de blogs. Gritar, protestar, criticar, realizar passeatas, greve de fome, enfim… a idéia do Dia Internacional pela Liberdade de Expressão na internet é debater durante 24 horas a censura na web. Mais uma boa experiência de como utilizar a própria rede e as novas tecnologia para mobilizar a sociedade na luta por seus direitos.

Ao longo do dia serão realizadas manifestações nos países (Birmânia, China, Coréia do Norte, Cuba, Egito, Eritréia, Tunísia, Turcomenistão e Vietnã), considerado pelo RSF inimigos da rede mundial de computadores. O protesto é uma resposta as ações restritivas à liberdade de expressão ao redor do mundo, que já contabiliza 63 dissidentes cibernéticos que estão presos em vários países em virtude do exercício do direito à liberdade de expressão na Internet. Sem falar nas mortes e violência contra jornalistas/blogueiros/cidadãos que denunciam as insanidades em seus locais.

Além da imagem (é proibido proibir) colaboro com um artigo Liberdade ou dignidade: os Direitos Humanos na internet, onde questiono: a liberdade de expressão é mais valiosa do que a dignidade humana?