Brasileiro é o que mais consume notícias em dispositivos móveis

Pesquisa da comScore aponta que os brasileiros são os usuários que mais leem jornais por meio dos tablets. No que tange o acesso ao conteúdo, 31,8% do tráfego de notícias é oriundo do iPads. Em segundo figura o iPhone, com 21%.

O mais curioso é que os leitores consomem conteúdo duas vezes mais, via tablets, do que em PCs. O acesso móvel representa apenas 1% do total de acesso à Web.

Apesar da baixa popularidade, o iPad lidera o acesso à Internet, a partir de dispositivos móveis, com 32%, seguido pelo iPhone (21%) e em terceiro o Android (11,7%). O iPad também lidera o ranking do tablet mais utilizado no Brasil.

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A Tarde: Gerente de Internet explica mudanças no jornal

O lançamento do novo site do A Tarde rendeu um bom debate neste blog e ramificou-se pelo twitter. O Fernando Severino, Gerente de Internet do Grupo A TARDE apareceu por aqui e comentou as mudanças no jornal. Aproveitei e conversei (por e-mail) com o Fernando Severino sobre alguns detalhes do projeto e as perspectivas de A Tarde. Acompanhe abaixo:

Por que o A Tarde resolveu mudar sua home?

Na verdade a mudança não foi só na home, foi no site inteiro. Pesquisamos constantemente as tendências mundiais em termos de jornalismo digital e acumulamos ao longo de um período uma série de features e inovações que vão surgindo, assim como monitoramos o comportamento do consumidor digital de informações e principalmente analisamos a evolução desse comportamento. Chega um momento em que olhamos para o site atual (o antigo) e percebemos que ele já não reflete de forma plena os anseios dos internautas, esse é o sinal para a mudança. Foi por esta razão que fizemos a mudança.

Quais os principais obstáculos enfrentados para o lançamento do novo site?

Chamaria mais de desafios do que obstáculos, porque desde o início toda a empresa sabia da importância dessa mudança, e deu todas as condições necessária para que fizéssemos um trabalho bem planejado e integrado. O principal desafio foi sem dúvida a adequação da estrutura de RH para cumprir com nova proposta editorial. Foi necessário contratar, treinar e deslocar profissionais, modificar o fluxo de trabalho, envolver e integrar os demais veículos, criar do zero uma equipe de produção audiovisual, reestruturar os fluxos de produção, redefinir os papéis dos editores, enfim foi uma grande mudança.

Quanto foi gasto no projeto e quais ações foram desenvolvidas para capacitar a redação? Houverão novas contratações? Qual o perfil dos profissionais que estão trabalhando no Atol (A Tarde On Line)?

O projeto inteiro custou cerca de R$50.000,00, entre desenvolvimento, layout e adequação tecnológica, tivemos ainda uma outra soma semelhante para a criação da WebTV, que tratamos internamente como um projeto a parte, porém integrado. Quanto as novas contratações, estamos numa fase de acompanhamento da transição, em breve saberemos se existe a necessidade de mais profissionais. Quanto ao perfil, estou entendendo que se refira aos jornalistas, o perfil destes profissionais deve ser altamente flexível e adaptável as novas propostas tecnológicas e editorias, ser multimídia e saber aproveitar ao máximo as funcionalidades da web 2.0 para produzir um material editorial mais rico, compatível com as possibilidades da web.

Áudios, vídeos, infografias, fotos, coberturas temáticas foram inseridas no site, mas de formas isoladas. A Tarde pensa em criar narrativas multimidiáticas, que englobe os diversos formatos na construção da notícia?

Claro, esta é a idéia da plataforma desenvolvida( CMS ). Como escrevi anteriormente, estamos num momento de transição. Já existem algumas iniciativas nesse sentido, e com tempo estaremos produzindo com mais riqueza. É importante reconhecer no entanto que a produção multimídia exige um esforço muito grande de produção e leva tempo, o que muitas vezes é incompatível com o tempo de resposta de um periódico, neles a notícia se desgasta muito rápido, não permitindo muitas vezes uma produção mais elaborada por comprometer o tempo da notícia. Este tipo de produção se torna mais viável para as revistas ou sites que exploram o “soft news”.

Algumas experiências colaborativas já foram desenvolvidas por A Tarde buscando aproximar/permitir que os usuários construam/colaborem na produção de conteúdo, mas sem muito êxito. Que estratégias serão adotadas para potencializar a colaboração dos leitores de A Tarde?

Não diria que tivemos pouco êxito. Costumo destacar que o nosso internauta ainda não é 2.0 e sim uma espécie de 1.5. Tivemos esta certeza quando fizemos o teste de usabilidade deste site com diversos grupos focais de perfis completamente diferentes. Nossa proposta inicial foi muito mais radical em termos de colaboração, só que percebemos que uma número muito pequeno de pessoas utilizavam os recurso, quiça sabiam o que eram ou para que serviam. Esta maturidade de navegação ainda não chegou ao Brasil, por mais que tenhamos grandes número de participação no Orkut, fica só nisso mesmo. Um universo muito pequeno de internautas utilizava para valer os conceitos de colaboração nos nossos testes, a grande maioria nos disse que esperava de um portal de notícias muitas chamadas na home para que elas podussem saber de forma absolutamente generalizada o que está acontecendo, adotando um fluxo de navegação do tipo home-notícia-home-notícia-home-tchau. Isso foi um verdadeiro banho de água fria na nossa equipe de desenvolvimento de produtos web, percebemos que estávamos fazendo um portal baseado nas nossas experiências de navegação na web e não estávamos considerando os “later adopters” que são a grande maioria da curva dos consumidores. Foi um grande aprendizado. Vamos, portanto, evoluir o portal na mesma velocidade dos nossos internautas, provocando sistemática e periodicamente a colaboração e analisando as respostas obtidas, para sabermos se podemos ou não avançar para a próxima fase.

Na Europa, alguns jornais criaram mecanismo de diálogo/monitoramento da blogosfera local. O Público (Portugal) criou uma lista dos trackback dos blogs que comentaram as notícias do jornal. O La Vanguardia criou um sistema parecido.  A Tarde irá desenvolver alguma relação com a blogosfera baiana/nacional?

Estamos engatinhando no conceito de blogs ainda, neste momento estamos apenas mapeando os blogs que nos interessam tematicamente para incluirmos no portal.

Por falar em blogs, eles parecem mais colunas, sem falar que todos os blogs do A Tarde possuem o mesmo layout, sem atualização, links para outros blogs (apenas dos jornais)…Haverão mudanças?

Logo, logo, é a pauta mais imediata. Tivemos que optar por lançar ou trabalhar mais. Preferimos adotar a estratégia Google de lançar e ir melhorando aos poucos.

Em relação aos microblogs, que é o grande boom, o A Tarde pensa em utilizar tais ferramentas na veiculação/produção de conteúdo?

Estamos atentos a isso. Já queríamos ter utilizado nas sabatinas com os candidatos a prefeito( que está sendo um grande sucesso, diga-se de passagem ) mas o regulamento não previa isso, então tivemos que postergar um pouco.

Quais as próximas inovações de A Tarde?

Lançaremos em breve a nova versão do classificados on line, que comercialmente é um projeto estratégico para a empresa, em paralelo estamos reformulando os canais de pós-graduação, cinema e turismo, além de algumas iniciativas sazonais com o canal Verão.

O que é o que A Tarde tem?

Tem me assustado o método que o A Tarde apresenta suas novas funcionalidades e produtos. A nova versão digital, prometida para o dia 5 de agosto e reprogramada para o dia 31 deste mês começa a aparecer em doses homeopáticas.

Primeiro fora o lançamento dos vídeos para o integrar o noticiário do jornal baiano. Em nota divulgada o veículo dizia “ampliar a oferta de conteúdo multimídia” com a simples disponibilização de vídeos em seu site. Estranho…

Agora foi a vez do A Tarde potencializar os seus blogs, a divulgação é claro. Teve até chamada na capa do impresso.  O conteúdo veiculado nestes blogs ainda está na fase transpositiva, a etapa primária do ciberjornalismo: as matérias publicadas no impresso vão para o site. Só falta falar que isso é cross-media. O pior é que anunciaram o “velho” como novo.

Estou a pensar…diante de anúncios de modernidade da imprensa baiana serão essas as “novidades” que o A Tarde irá implantar?

Site do A Tarde sairá ate o final de agosto

O novo site do A Tarde (conforme publiquei aqui) estava previsto para o dia 5 de agosto. Mas até agora nada. Ao que tudo indica o maior jornal do norte-nordeste terá sua nova versão lançada no dia 31 de agosto. Além da nova data, ouvi de uma editora do A Tarde que terá até produção em vídeo (já está em teste) e o site ficará bastante amplo, um portal ao pé da letra.

Agora resta saber se a redução enxuta (depois de uma tsunami de demissões) dará conta da alimentação diária do site e os conceitos sejam aplicados corretamente. Marquei a nova data no calendário.

Apontamentos sobre infográficos

“Leitores não têm tempo a perder, por isso devemos criar estratégias para atrair a atenção do receptor”, esta foi a tese defendida pelo Fábio Marra, editor de arte do Folha de São Paulo, em aula lá na pós-graduação.

Segundo Marra, 20 minutos é o tempo médio gasto pelo leitor nas páginas de um jornal impresso no Brasil, logo criar páginas limpas, de fácil leitura e que ensinem algo deve ser o objetivo dos veículos. E a infografia ocupa um papel essencial neste processo, tendo em vista que a infografia é a “construção e representação visual do texto” e é uma ferramenta extramamente útil para ampliar o entendimento do leitor do conteúdo veículado.

Marra estabeleceu três regras básicas para “apresentar” o conteúdo:

1- organizar melhor as páginas visando destacar o que a publicação se propõe

2- as páginas devem possuir “sinais” que guiem o leitor pela página

3- a disposição de imagens e textos devem favorecer a navegabilidade

Questionado sobre o estágio da infografia no Brasil, sinalizou que os produtos são perfeitos visualmente, porém ainda carentes de bons conteúdo. Na web, os infográficos ainda estão em fase de experimentação. Tecnologicamente são funcionais, mais ainda não absorveram a multimidialidade e a interação com o usuário.

Apesar de acreditar que a narrativa visual é uma alternativa para atrair a atenção dos leitores e dar mais qualidade aos jornais, Marra destacou que a qualidade da informação precisa estar em primeiro lugar, matérias bens escritas e conteúdos bem apurados.

Como estava em uma turma formada basicamente por jornalistas, o editor de arte da Folha de São Paulo alfinetou:

“É preciso mudar a concepção do fazer jornalismo. Não basta o repórter ir para rua e voltar com os bloquinhos recheados de anotações. Ele precisa pensar como a sua matéria irá figurar na página, qual imagem usar, os recursos gráficos a serem articulados para tornar mais fácil o entendimento do conteúdo e a pensar em estratégias que prendam o leitor  e faça com que ele leia a matéria até o final”

Como está na moda perguntar se os jornais impressos correm o risco de acabar…Marra rebateu afirmando que não acredita nesta possibilidade, porém no futuro teremos produtos mais visuais, com menos textos e a infografia terá ainda mais importância nas redações jornalísticas. Acredita também na convergência como condição fundamental para a existência dos jornais e, segundo ele, o conteúdo publicado pelos media na internet deve ser de acesso gratuito.

Foco da cobertura eleitoral será no cidadão, diz El País

A cobertura da eleição espanhola será palco para mais uma experiência de produção de conteúdo colaborativa. O El País anunciou a abertura de novos espaços no veículo para a participação dos leitores, durante o período eleitoral, seja nas entrevistas, publicação de textos, fotos…

Diz o texto:

“ELPAÍS.com apuesta así por colocar la voz del ciudadano como protagonista fundamental de la campaña para las elecciones generales, en las que Internet puede jugar un papel crucial a la hora de lanzar mensajes políticos y captar a los potenciales votantes”.

Dentre as propostas editoriais do jornal (sem falar do uso do Twitter, Facebook), destaco as seções:

‘Pide lo que quieras’
– que permitirá que os cidadãos enviem suas queixas e sugestões para o futuro Governo, inclusive via celular.

‘Yo, presidente’
– através de vídeos os leitores podem lançar suas propostas e tornarem-se “candidatos”. Além disso, qualquer usuário poderá ser “presidente por um dia” e apresentar as suas soluções para o país.

Penso que tal postura materializa a tese do Daniel Bougnoux, em “Introdução às ciências da comunicação”, que pontua:

“A comunicação consiste primeiramente em organizar o vínculo social, em estruturar a vida quotidiana e em manter a coesão da comunidade”. (BOUGNOUX, 1999, p. 23).