Plenária de comunicação em Salvador reúne 662 participantes

A comunicação é um direito e não existe democracia sem a democratização dos meios de comunicação. Estas foram as duas “macro-teses” defendidas na Plenária de Comunicação de Salvador, etapa preparatória para Conferência Estadual de Comunicação, a ser realizada de 14 a 16 de agosto, na capital baiana.

Vale ressaltar que a Bahia é o primeiro Estado do Brasil a realizar a Conferência de Comunicação.

O evento, que fora realizado ontem, na Escola Parque, na Caixa D`Água, reuniu 662 representantes de movimentos sociais, ONG`s, partidos políticos, sindicatos, terreiro de candomblé, comunicadores e muitos estudantes dos territórios da Região Metropolitana de Salvador e do Recôncavo.

O grupo teatral “1 de maio” abordou a relação da política com rádios comunitárias, quase sempre de dominação ou apropriação das rádios por agentes políticos em busca de “voto” e/ou capital simbólico.

Grupo teatral 1 de maio

A mesa de abertura contou com a presença da presidente do Sindicato dos Jornalistas da Bahia (Sinjorba), Kardé Mourão, do presidente do Conselho Estadual de Cultura, Albino Rubim, representante do Sindicato dos Radialistas e Publicitários da Bahia, Everaldo Monteiro, André Araújo, representante da Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação, secretário de Comunicação do Estado, Robinson Almeida e do representante do GT Comunicação, Giovandro Ferreira.

Mesa de abertura

Ambos destacaram a importância do debate para a construção democrática de políticas públicas para a comunicação, visando a promoção da cidadania e a inclusão social. Outro ponto abordado fora a “ativação” do Conselho Estadual de Comunicação, que já existe em lei e no papel continua.

Como a comunicação e as novas tecnologias podem ser apropriadas objetivando a cidadania e a transformação social fora a tônica do eixo temático Cidadania e TIC`s, do qual participei e fui eleito representante para a etapa estadual. Sivaldo, do Intervozes e Fabiana do CMI e Ponto de Cultura fizeram o papel de sensibilizadores comentando software livre, TV Digital, liberação do pólo emissor e as reconfigurações no fluxo comunicacional (um-todos para todos-todos), cultura digital…

Entretanto a turma do Grupo de Trabalho (GT), formado basicamente de estudantes, puxou o debate para a profissionalização, a necessidade na mudança curricular nas escolas para capacitar os alunos no que tange as novas tecnologias e linhas de crédito para fomentar a compra de computadores por pessoas de baixa renda.

Sinceramente, não esperava grandes debates neste GT, a começar pela quantidade de inscritos para o eixo temático. Enquanto Políticas Públicas de Comunicação formou cinco salas com 30/35 pessoas em cada uma, Cidadania e Novas TIC rendeu apenas duas salas com 25 na nossa e 20 na outra.

Além disso, cabe lembrar que a Bahia ocupa a 20ª posição entre os 27 estados brasileiros no ranking de acesso à web. Na Bahia, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (Pnad), 87,1% dos baianos com idade acima de 10 anos não acessaram a internet em 2005. Apenas 12,9% dos baianos com idade acima de 10 anos – 1.443.600 pessoas – tiveram acesso à internet. Logo, era esperado que o centro do debate fosse a inclusão sócio-digital.

Por isso, a proposta principal (cada grupo precisava selecionar apenas um ponto) do GT fora a transformação dos Centros Digitais de Cidadania em “Centros de Comunicação Pública”, formado por equipe multidisciplinar (artistas, professores, comunicadores…) para compartilhar conhecimento, sendo a gestão compartilhada com a comunidade, visando adequar as atividades dos Centros mais próximas das pessoas e de acordo com a realidade local.

Quem paga a conta é o poder público e/ou iniciativa privada. Além disso, esses Centros de Comunicação Pública devem ter equipamentos multimidiaticos para fomentar a produção da comunidade. A idéia é a criação de um portal colaborativo para veiculação dos produtos realizados nos Centros e que as escolas, associações comunitárias/moradores e afins utilizem também os Centros para educar/profissionalizar.

Nos corredores ainda conversei sobre a campanha da FENAJ pela defesa do diploma com o SINJORBA, criação da TV Comunitária em Salvador, jornalismo, blogs (com os novos conhecidos Eliel e Marcos da Cruz) e algumas experiências sócio-culturais envolvendo tecnologia e educação e assinei o abaixo-assinado pela Conferência Nacional de Comunicação. Por fim, aplaudi a palestra do prof. Emiliano José que alertou ao plenário “o jornalismo precisa servir a sociedade e não ao capitalismo”.

Fiz a cobertura via twitter, a Jacy Coelho esteve lá e escreveu um post e a AGECOM fez a cobertura da Conferência.

*Fotos do Roberto Viana/AGECOM

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Uma resposta para “Plenária de comunicação em Salvador reúne 662 participantes

  1. Fico até aliviada em saber que outras turmas foram mais produtivas, sério. Pelo menos duas pessoas que eu encontrei por lá me diseram que seus GTs estavam fracos., aí me veio o pensamento:”mais uma boa iniciativa que sera desperdiçada”. Mesmo assim, esperava ver mais profissionais. E também é verdade que eu discuti mais nos corredores e no almoço do que no GT.

    Bjs

    P.S: Claaaro!! o doce de leite, como eu poderia esquecer…

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