A Amazon, o cinema e o mercado de escravos

Jornais, revistas, blog e dezenas de tweets anunciaram que a Amazon, aquela empresa que começou a vender livro pela Internet em 1995, agora irá ampliar seus tentáculos para o cinema, ou melhor na descoberta de novos diretores, roteiros e ideias para a produção de um filme. Bacana, mas não vou bater palmas aqui no blog para a iniciativa.

Fico a pensar se a Amazon, uma das empresas mais interessantes da Web não poderia fazer algo mais do que torna-se uma plataforma para que jovens talentos publiquem seus sonhos cinematográficos. A ideia é a mesma desde o mercado de escravos da época colonial. Os escravos mostravam os dentes, força física e demais atributos (nesse caso os roteristas postam seus trabalhos que podem ser comentados por todos os visitantes e/ou produtores e diretores divulgam seu trabalho, duração mínima de 70 minutos) e os melhores eram selecionados para se fuderem no progresso.

Elogio vale ao modelo colaborativo remunerado, que vale como exemplo para projetos futuros. De acordo com o anúncio oficial da Amazon.com, mensalmente o melhor filme em destaque no Amazon Studios abiscoitará 100 mil dólares e os dois melhores roteiros 20 mil dólares, por fim o melhor filme do ano leva 1 milhão de dólares e o melhor roteiro 100 mil. Sem dúvida potencializará a cena independente, mas com o minimo de recurso.

O sentimento da empresa é o mesmo, que acredita “que irá ajudar cineastas iniciantes e seus colaborares”, ainda mais após firmar contrato com a Warner Bros Pictures, que terá preferência para rodar os projetos cinematográficos indicados pela Amazon, ou seja, os “escravos com dentes brancos” já tem onde trabalhar…

A Amazon reconhecida e/ou sinônimo de tecnologia social a serviço de modelos de negócios baseados em nicho e para pequenos comerciantes ou negociantes não poderia desenvolver projetos cinematográficos baseados em open source? No lugar do “mercado de escravos” por que não experiências baseadas na cultura do remix e na própria cauda longa, da qual a empresa é case de sucesso?

Em processos colaborativos a tecnologia é sobretudo social (reforçaria a marca Amazon), a interação é fortalecida e aproxima emissor e receptor e os contratos deveriam ser baseado em licenças livres/generosidade intelectual e não um acordo com a WB.

Mas é isso, a Amazon é uma empresa e a colaboração é business

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Uma resposta para “A Amazon, o cinema e o mercado de escravos

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