Henry Jenkins e os sentidos da convergência

A revista Contracampo (do Programa de Pós-graduação em Comunicação – UFF) publicou uma excelente entrevista com Henry Jenkins concedida ao Vinicius Navarro. Na conversa, Jenkins diz que a convergência esteve sempre associada a questões tecnológicas, o novo conceito, segundo ele, é cultural.

“A indústria agora tenta satisfazer uma demanda ampla pelas mídias que nós consumidores queremos – quando queremos e onde queremos. Há uma tentativa de satisfazer o desejo do público de participar ativamente na produção e circulação de conteúdo midiático”.

Apesar de lembrar que caminhamos para uma convergência tecnológica, Jenkins disse que o novo no processo de convergência é “a fluidez com que o conteúdo midiático passa por diferentes plataformas; por outro, a capacidade do público de empregar redes sociais para se conectar de maneiras novas, para moldar ativamente a circulação desse conteúdo, para desafiar publicamente os interesses dos produtores de comunicação de massa”.

Questionado sobre a divisão (social e de geração) e suas relações com a convergência, o pesquisador diz que o existe desigualdade no acesso às habilidades e aos conhecimentos para participar dessa “cultura convergente”. “A alternativa, segundo ele, é o fortalecimento da “cultura participatória”, que resulta na diversificação do conteúdo e democratização do acesso aos canais de comunicação”.

Ainda nessa seara, Jenkis, que é professor de Ciências Humanas e fundador e diretor do programa de Estudos de Mídia Comparada do MIT – Massachusetts Institute of Technology, que também sedia o C3 – Convergence Culture Consortium, elenca dois problemas relacionados a divisão. “Nossas instituições educacionais estão bloqueando os canais de mídia participatória, em vez de integrá-los as suas práticas. E as empresas frequentemente fazem uso das leis de propriedade intelectual para calar o desejo do público de se engajar mais plenamente com os conteúdos de nossa cultura”.

Convergência e cognição

Jenkis lembra que toda tecnologia oferece possibilidade de ganhos e perdas cognitivas e segundo ele estamos em uma fase de transição e a questão não é saber do resultado final dessa equação entre convergência e cognição.

“A questão é como equilibrar novas e velhas competências, como combinar a capacidade dos jovens de processar múltiplos canais de informação com os valores da contemplação e da meditação, que eram virtudes das velhas formas de aprendizado”.

Para o autor, diante da sobrecarga de informação, mais do que nunca “vamos precisar do pensamento crítico, porque vamos navegar, tanto individual como coletivamente, por uma paisagem de informação muito mais complexa”.

A proposta dele é construir uma cultura de especialidades diversas e múltiplas formas de conhecimento. “Individualmente, não podemos muito contra o tsunami de informação que quebra sobre nós todos os dias. Coletivamente, no entanto, temos a capacidade mental de enfrentar problemas complexos, que normalmente estariam bem além de nossas capacidades pessoais”.

Convergência e fragmentação

Para Jenkis a sobrecarga de informação nos deixou mais consciente da diversidade de nossa cultura, por outro lado a circulação de novos conteúdos tornou-se mais fluida, tendo em vista a minimização do poder do gatekeeper. Por outro lado, “as pessoas tendem a se encontrar online com gente que já conhecem na vida cotidiana; elas tendem a procurar pessoas como elas, em vez de usar a tecnologia para criar novas “pontes”.

Direito autoral, propriedade intelectual e participação

As empresas não serão capazes de controlar os mecanismos de produção e circulação cultural. “E aí mais e mais pessoas se tornarão “piratas” ao tentar satisfazer seus interesses num ambiente midiático que apóia maior participação ao mesmo tempo em que o ambiente legal procura canalizar essa participação para servir aos interesses de grandes conglomerados de mídia”, essa é a aposta do pesquisador quando questionado sobre o “lugar” dos direitos autorais e propriedade intelectual em ambientes colaborativos.

Por fim, Jenkis diz que “as extensões transmidiáticas oferecem mais informação e a oportunidade de explorar mais plenamente os mundos ficcionais. Permitem o engajamento com histórias de pano de fundo ou realçam o impacto a longo prazo dos eventos narrativos. Ou ainda redirecionam o foco em torno das perspectivas de personagens secundários ou periféricos, retornando à “nave-mãe” com um novo quadro de referência”.

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