Jornais na Web devem ser mais compactos? The Guardian aposta na ideia

Após hackear a própria redação, o The Guardian resolve abrir a API para a comunidade e o Phil Gyford tem a brilhante ideia de potencializar a navegabilidade do jornal a partir de uma arquitetura de “passar a página”, semelhante a edição impressa.

Gyford escreveu um extenso texto onde explica “teoricamente” as suas impressões sobre arquitetura, usabilidade e navegabilidade dos jornais, atualmente, e datalhe o seu projeto, intitulado “The Guardian de hoje”.

Para Gyford, os leitores perdem muito tempo e precisam tomar muitas decisões para ler uma notícia nas versões digitais dos jornais. Segundo ele existe muito atrito, pois o leitor precisa filtrar uma grande lista de notícias publicadas na home (manchetes e destaques), escolher uma e depois voltar a home, por exemplo, para passar para a próxima informação.

Perceba que no projeto, o leitor “vira a página” a partir das setas laterais, após escolher uma editoria específica. Essa estrutura, segundo Gyford diminui a quantidade de atrito e transporta a sensação de “surpresa” para a Web, semelhante à folhear um jornal impresso.

Outro ponto de crítica diz respeito a legibilidade. Gyford foca sua queixa sobretudo aos espaços ocupados pela publicidade nas páginas dos jornais na Web. Para ele, as decisões de escolha do local para inserir um anúncio prioriza mais o interesse dos anunciantes do que a experiência do usuário. “O anúncio aumenta o tempo de carregamento de páginas e são uma distração irrelevante para o leitor enquanto ler o artigo”, pontua.

Radical, Gyford alfineta: o propósito principal de uma página é a leitura de um artigo (a publicidade e os jornais não pensam da mesma forma, viu Gyford).

Por fim, e o mais curioso, e que vai na contracorrente do ciberjornalismo, Gyford diz, diferente do jornal imprenso, no ciberjornalismo é impossível a sensação de “já sei tudo  o que aconteceu hoje”, ou que o autor chama de finishability. Note que a crítica é sobretudo a “extensão” do jornal na Web. No impresso, as notícias terminam quando você chega ao fim, mas no online, graças ao hipertexto e hiperlinks rompe com a ideia de linha de chegada.

“Não vou perder um pedaço de notícia importante pois esqueci de clicar em um link para uma seção de um site, ou porque voltei para home e fui ler outra coisa, me distrai”, argumenta.

O The Guardian de hoje deve ser visto como uma opção de leitura e não a arquitetura principal de qualquer jornal. Será interessante para aqueles usuários que busquem uma leitura mais dinâmica e, principalmente, de uma editoria específica. A arquitetura de “passar a página” certamente será potencializada em aplicativos como o iPad e o Kindle, mas dificilmente “adotada” como estrutura em websites, tendo em vista que a babel de links e a possibilidade de navegar em uma notícia, principais características do ciberjornalismo, colocam no clique do usuário o poder de definir o que ler e em que ordem será a sua experiência.

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