Novo site do Correio potencializa navegabilidade

Em agosto de 2008 eu escrevia uma crítica ácida ao então “novo site” do Correio e a recomendação era simplesmente “deletar” o site e construir outro. O que pouca gente sabe é que a crítica me valeu, posteriormente, o convite para trabalhar no Correio, mas isso é outra história.

Neste domingo chuvoso, na verdade, a exatamente às 0h1 desta segunda, a terceira versão do site Correio entrou no ar e volto ao blog para tecer comentários. Antes de iniciar os adjetivos vale retomar alguns debates/ações/pensamentos que motivaram as mudanças no site, afinal um projeto não nasce do espírito santo (amém).

Memórias
Quando pisei na redação do Correio, em dezembro de 2008, o editor de multimídia (que coordena o site), Gustavo Acioli, já comentava a necessidade de mudar a “cara” do jornal. Topei a tarefa e nos curtos quatro meses pude participar dessas tentativas de mudança.

A redação já estava integrada, mas, concretamente, ainda existia uma produção individual e sem comunicação entre o impresso e o online. Faltava uma cultura do “tempo real” para os jornalistas. Lembro das iniciativas da Amanda Luz, Jorge Gauthier, Carol Neves, Luciana Diniz e do próprio editor em “evangelizar” a redação sobre a importância do online, em como o site poderia convergir e complementar o impresso, ajudar, inclusive a vender mais jornal no dia seguinte, ou de como era importante divulgar a lista de um vestibular primeiro no site.

Apesar de poucos recursos humanos e tecnológicos nos aventuravamos nas redes sociais, seja distribuindo conteúdo pelo Orkut ou produzindo vídeos e subindo no YouTube, como na cobertura do Festival de Verão, para mim a melhor entre os jornais brasileiros em 2009. Fomos o primeiro jornal da Bahia a entrar e usar o Twitter em cobertura noticiosa, como o incêndio no Instituto de Química da UFBA, que sem dúvida influenciou os demais veículos jornalísticos a adotarem a mesma prática. Até o RSS foi criado durante esse tempo e algumas iniciativas potencializaram a colaboração no jornal.

Essa viagem continua, afinal o jornal é diário, mas paro por aqui para não esquecer de citar algum detalhe. Detalhes como os que foram citados acima, que julgo importantes para entender a fase gestacional de um projeto, que se materializou nesta segunda (24) com o lançamento do novo site. E vou falar dele pois é mais importante do que minhas memórias.

Análise
Na última quarta-feira (19) estive na redação do Correio para conhecer como funciona o sistema de gerenciamento de conteúdo e conhecer o novo site e, é claro, dar algumas sugestões para otimizar o projeto. É genial o novo site do Correio, principalmente a arquitetura, baseada em módulos, em contraponto a estrutura de colunas que ainda vigora no ciberjornalismo, bem como a navegabilidade que proporciona. O projeto foi desenvolvido pela Nomad (Malagueta Interativa)

Por falar em navegabilidade, essa é a grande aposta do editor de multimídia do Correio, Gustavo Acioli. “O objetivo é aumentar o tempo de navegação do leitor, proporcionar mais conteúdo e melhorar a usabilidade para o leitor”.

Fiquei encantado com o CMS (TYPO3) adotado pelo jornal, pois ele permite construir uma home rapidamente e com isso o leitor terá a sensação de uma atualização constante ao acessar o site. No CMS antigo você mudava um por um (manchete, flip, destaques). A liberdade que o CMS permite de organizar a página possibilita também usuar a arquitetura como componete para a narrativa (a manchete pode ser de esporte e depois mudar para mundo). Em uma palavra: os módulos podem dançar na página (a critério do editor). O que será constante também no site será a “dança” do logo do Correio, que mudará de lugar a depender do movimento dos módulos.

Na crítica de 2008 sinalizava a ausência do hipertexto no Correio. Agora o jornal passa a ter notícias relacionadas (é o básico mais não tinha) e a barra lateral serve ao objeto de Acioli, que é aumentar a navegabilidade do usuário, com vídeos, links para matérias e afins.

O espaço dedicado à colaboração (Vc no Correio) foi otimizada. Um sistema de votação das melhores notícias produzidas pelos cidadãos-repórteres foi criado, e as notícias mais votadas ganham destaque na home do VC no Correio. Coberturas colaborativas realizada via Twitter também serão incorporadas no espaço colaborativo.

Para colaborar será necessário um cadastro, pois cada usuário terá um perfil e suas colaborações ficarão organizadas/arquivadas em uma lista. A medida resolve parte do problema da credibilidade, pois o histórico colaborativo de determinado autor pode sinalizar a veracidade de suas informações.

A área de Multimídia ficou mais limpa e continuará a “armazenar” a produção audiovisual do jornal, que finalmente terá conteúdo multimídia. Os blogs migraram para plataforma WordPress e a “capa” dos blogs ficaram mais amigáveis. O bom é que tanto “multimídia” como os blogs passam a compor as narrativas do jornal. Você terá a informação sobre o BA-VI e ao lado a opinão do blogueiro sobre o clássico do futebol baiano ou os gols da partida.

Na análise de 2008 utilizei a palavra “péssimo” para o site do jornal. Hoje “excelente” é a melhor definição. Em termo de arquitetura, navegabilidade e proposta conceitual julgo o Correio como o melhor site jornalístico da Bahia e entre os melhores do Brasil.

O grande desafio ainda diz respeito aos recursos humanos e cultura profissional. Apenas 10 pessoas (especificamente para o site) precisam dar conta da produção de conteúdo, do relacionamento com o leitor, atuar nas redes sociais, produzir conteúdo multimídia e mais, como a redação do impresso vai se relacionar com as demandas do novo momento do site. As estratégicas de marketing vão funcionar? As matérias serão um pouco mais analíticas e menos informativas? Como potencializar a colaboração?

Diante das “memórias” as previsões são otimistas. E para deixar vocês curiosos: fala-se em um editor de mídias sociais, mas também é ventilado a ideia de cobrar pelo acesso ao jornal online.

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3 Respostas para “Novo site do Correio potencializa navegabilidade

  1. Não vou mentir, mas gostei dessa nova cara do Correio, porém acredito que existe muita coisa pra se melhorar, sem contar que a arquitetura de informação não está lá essas coisas, tudo muito colado, fontes de tipo e cores diferentes entre coisas coisas.

    Existem funcionalidades que não deveriam tá lá, tipo o slide do conteúdo dos blogs, precisava ter as setas ali a vista? Não seria melhor desativar (sumir, mudar de cor já era um coisa) quando não existir conteúdo? Usabilidade básica. Mas enfim, aos poucos vão melhorando.

    Quanto ao uso do TYPO3, nunca ouvi falar do CMS, mas parece que ele é bem robusto, mas pra eu quero ter uma capa modulada de forma de diferente? A marca andando pelo o site?

    Outra coisa que achei péssimo, foi a Galeria de Fotos. Deus!!! Existem grandes problemas com galeria de fotos na Internet, principalmente quando se trata de fotos de vários formatos, porém existe soluções e o que tá lá agora sem dúvidas “cagou” geral.

    As perguntas que aos poucos serão respondidas pela respostas dos desenvolvedores por trás do novo site e vamos que vamos!!!

  2. Springmann, o meu excelente vale a um “bom” no sentido geral. Quando você ler um “do caralho” aqui tenha certeza que é genial, ou execelente (no uso comum)
    É um outro olhar Titi, que acrescenta muito. Concordo com suas observações, por isso que quanto mais as equipes forem mescladas melhor é o resultado, pois a pluralidade de conhecimento é capaz de gerar um produto final mais rico de detalhes.

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