10 possibilidade para o jornalismo colaborativo, por Ana Brambilla

O OhmyNews celebrou 10 anos de atuação em fevereiro e a Ana Brambilla fez uma excelente reflexão sobre desafios e oportunidades para o jornalismo colaborativo.

A reflexão é bem lúcida e por isso copio e colo o que a Ana chamou de 10 POSSIBILIDADES PARA O OHMYNEWS (e para o jornalismo colaborativo como um todo). Eu só acrescentaria o uso de projetos de educomunicação em projetos colaborativos.

1. Hiperlocalização
Não faltam exemplos de iniciativas editoriais colaborativas hiperlocais. The Local, do New York Times, pode ser uma delas. A rede chilena ancorada por El Morrocotudo, outro exemplo forte de que a regionalização fortalece o interesse dos colaboradores e dos consumidores daquele conteúdo.
O conceito do village reporter, defendido por Yeon Ho, é valorizado quando o ecossistema digital reconhece a importância do relato do indivíduo “comum” para o seu microcosmos. As coisas não precisam mais ser grandes para ter sua importância. O que é “broad” ou “mass” vem sendo repensado. E o modelo colaborativo só tem a beneficiar-se com isto.
Olhando mais ao OhmyNews International: ele ficaria bem como um hub de vários OhmyNews nacionais.

2. Crowdfunding
Meu modelo maior ainda é o Spot.Us. Idealismo demais acreditar que o público financiará a produção de conteúdos do seu interesse? Isso já aconteceu em cobertura de guerra. Se tem quem pague (ou quem acredita que irão pagar) por ACESSO a conteúdo, por que não pagar pela sua PRODUÇÃO? É uma questão de interesses.

3. Voluntariado
Já está mais do que entendido que existe um grupo de noticiários colaborativos que são desdobramentos de veículos convencionais. Há outro grupo, no entanto, que se dedicam inteiramente ao conteúdo produzido por cidadãos repórteres. Neste caso, a edição continua nas mãos de jornalistas. E se estes jornalistas – que não raro acreditam no modelo – cooperassem na forma de um grupo cadastrado de editores voluntários? Isto daria mais agilidade e ritmo de atualização intenso ao veículo, além de agitar sua vida nas redes sociais (já falo disso).

4. Software livre
Eu sugeriria a substituição do atual sistema de gerenciamento de conteúdo do OhmyNews pelo Drupal, pelo WordPress ou mesmo pelo Joomla. Sairia mais barato, o resultado seria bem melhor para os editores e para os colaboradores e, além disto, integraria o OhmyNews à rede de desenvolvedores do software livre – nada mais coerente, quando se fala em jornalismo open source 🙂

5. Notícias… e algo mais
Eu suavizaria o perfil editorial do OhmyNews. Seguiria com hard news, mas deixaria que uma bela fatia do conteúdo fosse ocupada por conteúdos mais triviais como álbuns de viagem, receitas, família, dicas de moda e beleza, arte, dicas de diversão… como se misturasse uma revista semanal de informação com um portal feminino. Sem perder o foco geográfico! E tudo em primeiríssima pessoa!

6. Mais interação!
Parece brincadeira sugerir que um site cujo conteúdo é essencialmente feito pelo público se torne mais interativo. Mas esta sugestão remete à interação imediata. Àquilo que hoje só existe na forma de uma enquete na página do OhmyNews; no máximo, na avaliação das matérias. Talvez votações mais explícitas, galerias de fotos, customização do visual à lá BBC, formulários para envio de comentários direto na capa, com publicação moderada, mas sem grandes barreiras. Um box do Twitter e outro do Facebook para agitar as coisas.

7. Novo design
Aqui eu pediria ajuda ao Rogerinho Fratin e outros amigos webdesigneres especialistas em como atrair pessoas pelo visual. Não se trata de uma urgência. O visual do OhmyNews não é ruim. Eu diria que ele é coerente com o viés editorial a que se propõe. Mas para atender à “flexibilização” do conteúdo que sugiro, um design mais leve, mais colorido e com imagens maiores cairia bem.

8. Mídias Sociais
Existem grupos do OhmyNews no Facebook, um perfil no Twitter e até um canal do OhmyLife no YouTube, com vídeos-reviews de produtos. Bem bacana. Mas estes canais precisariam de muito mais gás! E não esperando isto do público, mas partindo de “dentro”, da própria equipe de funcionários ou voluntários do OhmyNews.

9. Creative Commons
Sempre me pareceu mais coerente que um noticiário colaborativo publicasse o conteúdo sob Creative Commons. Embora hoje o conteúdo esteja licenciado por Copyright, o OhmyNews não impede e até estimula que cidadãos repórteres publiquem seus artigos – sem ônus – em outros lugares. Teve cidadão repórter que já editou um livro com os textos que fez para o OhmyNews. Entraria mais no “espírito” da coisa.

10. Versão impressa
Por muito tempo o OhmyNews sul-coreano teve uma versão impressa que circulava gratuitamente em Seul. Aos moldes do Metro, este OhmyNews-de-papel podia circular nas localidades com índices não tão altos de acessibilidade digital como na Coréia do Sul. Imagine um jornal gratuito feito por você? Ver o seu nome assinando uma matéria que está sendo distribuída nas sinaleiras, nas farmácias, nas estações de metrô? – este apelo talvez batido ainda poderia “caçar” muitos bons colaboradores em países em desenvolvimento como o Brasil.

É possíve que estas medidas não sejam suficientes para garantir longa vida a um noticiário colaborativo, mais especialmente, ao OhmyNews. Quanto à questão financeira, que é o cerne da história, infelizmente não posso opinar muito. Mas parece que há ainda, sim, um caminho a ser trilhado. E que o jornalismo colaborativo tem muito a evoluir, a aprender com o OhmyNews.

Anúncios

Potencialize o diálogo. Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s