ABC formará cidadãos para potencializar o jornalismo colaborativo

A Ana Brambilla comenta em seu blog que na relação entre jornalismo e mídias sociais, “se o público não vai ao site jornalístico, é o veículo que encontra o público”. Brambilla comenta ainda que “aproximar um veículo das pessoas (nas mídias sociais) é mais prático, leve e promissor do que tentar puxar as massas para dentro do veículo”.

Estou totalmente de acordo com a tese da professora, mas acresentaria que (falando de desafios) cabe também ao jornalismo colaborativo “formar” cidadãos para a produção de conteúdo noticioso. Este processo resultaria em uma audiência alerta sobre os interesses ideológicos dos meios de comunicação e novos olhares sobre a realidade local dos cidadãos.

Na Austrália, a ABC (Australia Broadcasting Corporation), que agrega uma rádio e rede de televisão estatal, anunciou na última quinta-feira (5) que irá atuar na formação de cidadãos das zonas rurais para que estes possam produzir e divulgar conteúdos jornalísticos.

Mark Scott, diretor da ABC, disse que “para emissora é um papel vital construir novas relações com a audiência” e que a “formação dos cidadãos irá beneficiar outros meios de comunicação do país, tendo em vista que mais pessoas saberão como participar da produção de conteúdo.”

Entretanto, a iniciativa da ABC não teve uma boa receptividade junto aos mass media do país. O The Australian (propriedade da News Corp, de Rupert Murdoch) carregou nas tintas e disse que o projeto da rede estatal “tem um potencial de destruir a capacidade competiviva das organizações privadas”. Sim, você leu isso mesmo. Traduzindo: a colaboração poderá destruir o jornalismo.

Tenho dito que só a liberação do pólo emissor ou maior relacionamento com o público (seja lá através de qual meio) não irá mudar as rotinas produtivas, os critérios de noticiabilidade e, consequentemente, o agendamento midiático. É preciso casar educação com apropriação das novas tecnologias de informação e comunicação. Obviamente é preciso ainda debater os programas de formação e garantir que eles estejam a serviço da comunidade e não de uma lógica jornalística. (mas isso é assunto para outro post).

Por outro lado, é preciso entender que a produção de conteúdo noticioso não pode (e nem irá) permanecer restrito a meia dúzia de agentes autorizados (leia-se jornalistas). Noticiar deixará de ser uma atividade profissional para tornar-se em uma prática cidadã.

Na próxima semana estarei em Brasília para participar do I Fórum Internacional de Ouvidorias/Ombudsman/Defensores del Pueblo/Provedores de Justiça/Médiateur de la République, que será realizado de 10 a 12 de novembro no centro de eventos da CNTC em Brasília. Por isso, o blog poderá não ser atualizado durante esses dias.

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2 Respostas para “ABC formará cidadãos para potencializar o jornalismo colaborativo

  1. Essa tentativa de “preparar” o público para colaborar, do ABC, é louvável, sem dúvida. Certamente ela não vai de encontro à proposta mequetrefe do CMI, de querer dar “cursinho de jornalismo em 3h”. Me pareceu muito mais próximo ao que o Dan Gillmor defende: mostrar ao público os meandros do processo de produção noticioso, especialmente para criar essa “audiência alerta”, digamos… atenta às possíveis sacanagens da mídia.

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