Intercom 2009, parte I

Jornalismo móvel, Cinema Open Source e Comunicação e Política foram os debates que acompanhei hoje no primeiro dia da XXXII edição da Intercom (Curitiba-PR), além conhecer algumas pessoas interessantes nos corredores da Universidade Positivo, que vale ressaltar possui uma excelente estrutura física.

Abaixo um resumo dos debates por tópico

Tema: Jornalismo reconfigurado: tecnologias móveis e conexões sem fio na reportagem de campo
Palestrante: Fernando Firmino (UFBA)

O argumento central da apresentação foi a reconfiguração das rotinas produtivas do jornalismo influenciada pelas tecnologias móveis. Firmino destacou que este processo trouxe consigo desafios para a profissão, como a questão da formação, produção e distribuição da informação.

“a tecnologia potencializa a atividade jornalística, mas a formação é fundamenal para a profissão, porém  é necessário mudar o perfil da formação dos futuros jornalistas para que se adequem a nova realidade comunicacional”, destaca.

O jornalismo móvel no Brasil, segundo ele, não é promessa futura é algo já realizado no presente, mas sem uma uniformidade e repleto de entraves editorias/mercadológicos, principalmente nas grandes empresas de comunicação, onde as mudanças são mais pontuais, tendo em vista os riscos e investimentos envolvidos nas mudanças.

“as empresas de comunicação ainda não aprenderam a se relacionar com as redes sociais e as novas tecnologias. No Brasil já são 160 milhões de aparelhos, portanto é impossível pensar o jornalismo sem pensar nos celulares”

Assista o vídeo onde o debate é sobre a instantaneidade e a pérola do Firmino: Bonner é o pior jornalista fazendo ao vivo.

http://blip.tv/play/AYGdli4C

Neste vídeo, Firmino aborda o jornalismo colaborativo e mobilidade
http://blip.tv/play/AYGdqQYC

Tema: Cinema 2.0 ou Cinema open source – As novas possibilidades de formulação estética, manipulação de conteúdos e da forma pelo público consumidor nos ambientes digitais
Palestrantes: Alexandre Lara e Fabio Feltrin (UTP)

Apesar do nome enorme do tema, dois conceitos podem definir as idéias defendidas pelos autores: cultura remix e cauda longa. Lara levantou três argumentos essenciais para se entender o cinema open source:

1- em processos colaborativos, a tecnologia é social;
2- a possibilidade em colaborar aproxima o  receptor do emissor e fortalece a interação.
3- Cinema open source só é possível com licenças livres e generosidade intelectual

As afirmações fazem sentido se entendermos o cinema open source como fruto da cultura do remix, onde a mistura, a recombinação de elementos e alteração de ambientes produz novas obras, que segundo ele, demonstram o sentimento do receptor com a obra inicial, uma reação a esta e não uma forma de “melhorar a primeira versão”.

E como articular a cultura do remix, colaboração para gerar publicidade de uma marca/produto?

Feltrin aponta dois aspectos que julgo essenciais: a servidão voluntária (o simples fato de usar uma determinada marca) e o merchan (este pode/deve explorar a interação com o público para gerar virais sobre a marca)

O comercial da Coca Cola (abaixo) acabou sendo o foco do debate, pois de acordo com Feltrin foi elaborado com a participação dos cidadãos e após finalizado gerou novas versões remixadas do comercial.

Tema: A comunicação política: a política, a mídia e a opinião pública
Palestrante: Dominique Wolton (CNRS – Paris/França)

“Não existe democracia sem comunicação”. Essa foi a idéia central defendida pelo simpático Wolton em sua palestra onde argumentou que a comunicação é a grande questão da sociedade contemporânea.

Apesar do fluxo informacional (em grande escala) a comunicação é ainda primitiva entre o ser humano, o que esclarece problemas como a intolerância, conflitos e o convívio desarmonioso entre os homens. Para Wolton conviver é comunicar. Nada de novo, mas bonito de se ouvir.

O mais importante (julgo) foi a consideração do pensador francês sobre a fé que depositamos na tecnologia como solucionadora para a falta de comunicabilidade. “A tecnologia é neutra. Ao transferirmos para a tecnologia o papel de melhorar a comunicação transferimos, na verdade, as nossas próprias falhas”.

Sobre a Internet, Wolton disse que é a melhor conceituação do que seria o contrapoder, um palco para expressão de idéias, de novos discursos, mas também ferramenta para ditaduras e afins. Já sobre a mídia “os espaços midiáticos são maiores do que os espaços políticos. A comunicação política é o motor do espaço público, que é o quadro onde se exerce a política”.

Outras visões do Intercom você acompanha no meu Twitter ou na escrita coletiva do evento.

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Uma resposta para “Intercom 2009, parte I

  1. Não sou um bom comentarista e nem sou um bom crítico, mas gostaria de dizer que com poucas palavras se muda alguém e que com muito esforço se muda o mundo. Não estou aqui para parabeniza-lo e muito menos para dizer que seu blog é bom, mas para diz que com certeza vc tenta e só por tentar vc já faz parte do meu clube. A política é um bom meio e faz de nossa sociedade meio que controversa. Mas se pararmos para pensar, que ser humano não é?! Basta um fazer sua parte para que os outros entendam. continue nos informando e nos dando boas notícias, pois posso afirmar que continuaremos lendo daqui.

    Tenha uma boa tarde e se divirta entretendo as pessoas.

    Fui….

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