Apontamentos para a história da imprensa na Bahia

“Apontamentos para a história da imprensa na Bahia”. Este é o título do livro organizado pelo jornalista Luís Guilherme Pontes Tavares, lançado em homenagem ao bicentenário da instalação da imprensa no Brasil, comemorada em 13 de maio de 2008. A obra foi uma proposta da Academia de Letras da Bahia e da Assessoria Geral de Comunicação do Governo do Estado da Bahia – Agecom.

O livro, como indica o título, é um apontamento para se compreender os momentos mais marcantes da imprensa na Bahia, passando pela fundação do primeiro jornal, os cenários e realidades de cada época e como estes influenciaram a criação dos jornais e/ou dão pistas para o entendimento sobre o desenvolvimento dos jornais no estado. A obra é uma coletânea de artigos, memórias e discurso de governadores, jornalistas, historiadores e pesquisadores da temática. Em alguns textos, o relato quase pessoal da atuação da imprensa e suas características valem mais do que cronologia histórica de detalhes épicos sobre o tema.

“Cada contribuição busca enfocar um aspecto individual ou coletivo, sendo todos significativos para a reconstrução da história da imprensa. Trata-se de uma tentativa de preservar registros feitos, de maneira espontânea e a partir de várias dimensões e perspectivas, sem rigor acadêmico e sem maiores pretensões, salientando aspectos da trajetória da imprensa baiana”, diz o professor Sérgio Mattos, no prefácio do livro.

Os artigos reunidos no livro foram elaborados entre 1889 e 1986 por Aloysio de Carvalho, Aloísio de Carvalho Filho, Antonio Loureiro de Souza, Antonio Viana, Arthur Arezio da Fonseca, Honestílio Coutinho, Jorge Calmon, Luiz Viana Filho, Milton Santos, Octavio Mangabeira, Pedro Calmon e Raimundo Bizarria.

Narrar a história já um trabalho laborioso, fazer um resumo de detalhes volumosos presentes no livro, é uma tentativa frustrada de resumir. De qualquer modo, fica a indicação para aqueles que busquem entender parte da história da imprensa baiana e três momentos que julguei mais importantes do livro:

O início

Em seu artigo, o ex- Governador Octavio Mangabeira lembra que em 24 de dezembro de 1810 el-rei dom João VI autorizou o negociante português Manoel Antonio da Silva Serva que fundasse uma oficina de imprensa em Salvador, porém qualquer artigo a ser publicado precisava de autorização prévia do governo.

Em 14 de maio de 1811 iniciava a história do jornal Idade d’Ouro do Brazil, o primeiro do estado, em um pequeno cômodo no bairro do Comércio. A publicação contava com os escritos do bacharel Diogo Soares da Silva Bivar, emigrado português, e do padre Ignácio José de Macedo. O formato era in-4º, com tiragem bissemanal sob o lema “Falae em tudo verdades, a quem em tudo as deveis”. O jornal trazia ainda a nota “com permissão do governo”.

Imprensa Moderna

Até 1912, com o surgimento de A Tarde, os jornais baianos eram, acima de tudo, um instrumento político. O ex-Governador, Luiz Viana Filho costumava dizer que os jornais era um “seguro degrau para a vida pública”. Os repórteres e redatores eram praticamente amadores, sem nenhuma profissionalização, como mais tarde se notou com o nascimento do Jornal da Bahia em 1958. Em termo de organização da imprensa, observa-se o principio com a criação da Associação Bahiana de Imprensa, por Ranulfo Oliveira

Imprensa oficial

A história da Imprensa Oficial do Governo do Estado da Bahia teve início em 1912, após a posse de José Joaquim Seabra, que planejou a criação de um programa para normalizar o serviço de publicações oficiais, que até então era realizado por empresas particulares.

A inauguração data de 7 de setembro de 1915. O primeiro prédio estava localizado na rua da Misericórdia, entre a Praça Rio Branco e a Igreja da Sé, sob o comando de José de Aguiar Costa Pinto. 588 pessoas trabalhavam no órgão.

A primeira edição do Diário Oficial saiu a 1º de outubro de 1915 com 64 páginas. Na capa a foto do governador, e na seqüência informações sobre o regulamento da Imprensa Oficial, economia, política e notícias sobre o Estado.

Confira a ordem cronológica das primeiras publicações na Bahia

1812 – As Variedades ou Ensaios de Litteratura

1821

1 de março – Semanário Cívico

7 de abril – Minerva Bahiense

4 de agosto – Diário Constitucional

1822

10 de abril – O Constitucional

21 de junho – Sentinella Bahiense

12 de agosto – Espreitador Constitucional

24 de agosto – Idade de Ferro

2 de dezembro – A Abelha

1823

19 de agosto – Echo da Pátria

1824

13 de fevereiro – Grito da Razão

16 de novembro – Correio da Bahia

1827 – O Farol

1828 – O Soldado de Tarimba Sentinella Constitucional da Liberdade e a Gazeta da Bahia

1829 – A funda de David defronte do Bahiano, A Massa de Hercules

1830 – Imperial Brazileiro, Campeão Brazileiro, O Português

1831- O Sentinella da Liberdade, A Milícia, o Esquadrinhador, O Voto Bahiense, O Pereira, O Paschoal, A Jovem Bahiana, A Ronda dos Capadocios e Os Contrabandistas

1832 – O Tolo Fallador, Choradeira dos Banzelistas, a Quaresma Política, O Paschoal contra os Banzelistas, O Viajante, O Escrivão e revistando o portacollo, O descobridor de verdades, O diabo disfarçado em urtiga

1833 – O doudo nos seus lúcidos intervallos, a Conversa dos sinos da Bahia e a Gazeta Commercial da Bahia

1834 – O Frade, O Tribuno Brazileiro

1836 – O Gallo de Campina, Aurora da Bahia

1837 – O Recopilador ou Livraria dos Meninos

1839 – O Theiopolita, O Brazileiro, Dois de Julho

1840 – O Gafanhoto, O Peru, o Frade Leigo

1841 – Escola Domingueira , O Progresso

1843 – O Rabequista

1845 – A Marmota

1848 – O Século

1856 – Jornal da Bahia, O Povo, O Patriota, Diário de Notícias, Correio da Bahia

1857 – A Semana, A Opinião, O Norte, O Correio Mercantil, O Noticiador Católico, O Caixeiro NAcional

1858 – Jornal da Tarde

1875 – O Diário de Notícias

1887 – Gazeta da Bahia

1897 – O Abolicionista, A República Federal, O Republicano, O Pantheon, O Álbum Nova Cruzada, O Papão

1900 – Revista do Grêmio Literário da Bahia, Revista Moderna de Letras e Artes

1911 – Os Annaes

1913 – Bahia Nova, A Justiça, Ad Lucem, A Malagueta, Revista da Associação Typographica Bahiana, Seara de Ruth, O Correio, O Anúncio, O Bentivi

1915 – O Democrata

1918 – O Imperial, A Hora, Correio da Tarde, A Renascença, as revistas,A Fita, Revista da Bahia, o Etc, Jornal Moderno

1919 – Revista Única, A Máscara

1920 – O Correio, A Notícia, A Cidade, A Manhã, A Noite

1930 – A Época, Era Nova, Fôia dos Rocêro, A Luva

1958 – Jornal da Bahia, sob o comando de João Carlos Teixeira Gomes


Ficha técnica
Apontamentos para a história da imprensa na Bahia
Luís Guilherme Pontes Tavares (org.)
EGBA, Salvador, 2008

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2 Respostas para “Apontamentos para a história da imprensa na Bahia

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  2. Fiquei muito feliz com esse post pois o professor Luis Guilherme Pontes Tavares foi meu orientador na minha graduação e meu co-orientador na minha pós. Um ser humano louvavel de elogios e qualidades. Culto,educado e um otimo amigo. Luis Guilherme se dedica com louvor a pesquisar a historia da imprensa. Um ávido pesquisador que se dedica a detalhes e historias totalmentes desconhecidas.

    O livro é um deleite para todos os curiosos e estudiosos além de profissionais da área. Recomendo e aprovo (livro para coleção)

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