Não é só de tragédias que vive o jornalismo colaborativo, ou hiperlocalismo colaborativo

“Por mais que o jornalismo colaborativo tenha mostrado seu potencial em desastres naturais e acidentes, o hiperlocalismo ainda reserva para os cidadãos-repórteres a melhor oportunidade para otimizar a produção de conteúdo colaborativo”.

Defendi esta idéia durante a apresentação na última quinta-feira (6) no Ciber.Comunica 4.0, quando da palestra sobre Redes Sociais, Tecnologia e Jornalismo Colaborativo. Para reforçar esta tese, o artigo da Catalina Holguín, intitulado “La aldea global“, publicado na Revista Arcadia vem ratificar alguns pontos deste modelo open source.

Holguín defende de que o jornalismo hiperlocal seria a encarnação do jornalismo colaborativo (eu acho muito forte esta afirmação, diria que seria um dos modelos possíveis) e a sua prática torna-se sustentável, sobretudo, por questões econômicas, sociológicas e tecnológicas. “Um media que enfoca um determinado bairro de uma cidade é atrativo tanto para comerciantes como para as autoridades locais, devido a efetividade da pauta e ao baixo custo de produção” (tradução livre).

O jornalismo colaborativo e hiperlocal pode auxiliar também o próprio mass media, a partir do momento em que o mainstream midiático articule a colaboração para realizar pauta/cobertura onde, atualmente, os meios de comunicação não conseguem chegar. Citando o diretor da London School of Economics, Charlie Beckett, Holguín aposta na fusão entre jornalismo tradicional, jornalismo colaborativo e novos meios, resultando em uma espécie de “jornalismo interconectado”.

Particularmente, não gosto desta terminologia, mas o conceito é semelhante ao argumento que defendo sobre a multimidialidade jornalística. Apesar de multimidia está relacionada sempre a “diversas mídias”, “formatos convergentes” ou “linguagem plural de narrativas”, penso que tal concepção precisa evoluir para incorporar as redes sociais (seja como fonte, interação e personagens) e a produção de conteúdo colaborativo em seu habitus.

“O jornalismo interconectado é aquele que utiliza plataformas adequadas para a leitura e publicação de conteúdo, baseada em narrativas próprias para a web, aproveita a participação do público, vale-se dos metodos tradicionais do jornalismo e ferramentas jornalísticas”, comenta Holguín.

Por fim, a autora alerta a reconfiguração que as Novas Tecnologias de Informação e Comunicação provocaram no mainstream midiático, destacando as mudanças nos centros de poder midiático (este não pertece somente aos mass media) e termina de uma forma um tanto trágica (valendo-se da opinião do Clay Shirky) “A sociedade não precisa de jornais. O que precisamos é de jornalismo”.

Dica do Periodismo Ciudadano

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