Twitter: o fantástico ou o Twitter no Fantástico

Não sei qual o fator mais importante sobre a matéria do programa da Rede Globo, Fantástico, ao abordar as redes sociais e colocar no mesmo balaio o Twitter.  Primeiro, se o assunto em si merecer mais de cinco minutos do programa. Segundo, os debates no próprio twitter sobre a matéria, o que mostra ( só para lembrar) o poder do agendameto midiático. Terceiro, o fato de que (isso é uma generalização) tanto o mainstream midiático ainda descobrir o que fazer com tais ferramentas como os usuários ainda ficarem com “medinho” da expansão do Twitter.

Bom, como manda a regra, vamos por parte. O foco da matéria foi: redes sociais são mais usadas que e-mails (veja aqui). Aí, e é uma questão conceitual, o twitter pode ser classificado como rede social? Tenho muita dúvidas quanto a isso…O Twitter, diferente do Orkut, permite um uso “mutante” da ferramenta. Posso usá-la tanto para a cobertura jornalística como para conversar com meus ami@s entre outras. Desta forma, é a apropriação da ferramenta que define o seu caráter, o que coloca o Twitter em um universo tanto difícil de ser classificado.

[flash http://www.youtube.com/watch?v=bLYnJJ5IkUI%5D

Respondendo ao questionamento 1: Os meios de comunicação não estão nem aí para qual ferramenta/rede social é a mais popular. Logo, o passaporte do Twitter no Fantástico foi o seu próprio desempenho e expansão, o que já é um fato interessante: a relação entre novas tecnologias e agenda midiática.

Questionamento 2: Que em uma sociedade de massa, a mídia tem um papel fundamental na formação da agenda pública, não há dúvidas, entretanto, me questionava dias atrás se este “poder” seria o mesmo em uma sociedade em rede, com uma esfera pública mais amplas e com mais atores atuando em sua formação. Porém, todos os olhos no Twitter se voltaram para o Fantástico: o que irão falar sobre nós? Vale destacar a boa estratégia do programa para atrair o próprio público abordado, ou seja converteu o assunto em audiência e o melhor usando a própria rede. Não lembrava da última vez que assisti ao Fantástico, soube da reportagem por um twitt.

Após o fim da matéria, avaliações das mais diversas sobre a matéria: sem aprofundamento, pouco tempo (bom isso é mentira, foram cinco minutos, uma odisséia para a tv), reduziu o Twitter a uma rede de miguxos entre outros.

Questionamento 3: O que me deixou  apoplético, foi, novamente, o clima de apocalipse que se instala  entre os usuários quando o mainstream midiático aborda um “boom” da web.

O clima é sempre o mesmo “com essas matérias a turma burra do orkut irá invadir a nossa rede de gente cult” ou iremos perder qualidade com a popularização do Twitter. Para ser mais radicial alguns “filósofos” querem manter a 140 chaves os segredos do Twitter. Vai entender os motivos….

Não vou dizer que a mídia cumpriu seu papel, mas parte dele sem dúvida. Apresentou para uma gama da sociedade o que acontece para além dos www, o que a turma consome, como se apropria da ferramenta, olha dá para arrumar até emprego através do Twitter. Nada menos do que 200 mil brasileiros já estão por lá, tuitando…

Por outro lado, durante a gravação do quadro para o Fantástico, os entrevistados gravaram escondido os bastidores da reportagem, pórem foram impedidos de gravar, pois feria os princípios da tv, blá-blá. Eis um erro, ao assistir o vídeo, penso que o próprio quadro poderia incorporar um outro olhar sobre a sua própria execução. Tal postura revelaria uma maturidade (que ainda não existe) quando o assunto é colaboração.

[flash http://www.youtube.com/watch?v=TZSgytrcXXs%5D
Por fim, tuiteros do Brasil, vamos parar com o “medinho” do que estar por vim. E o medo não é apenas da “baleia”, alguns argumentos beiram o purismo elitista geek. Pensamento semelhante aos erros da mídia…

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3 Respostas para “Twitter: o fantástico ou o Twitter no Fantástico

  1. Adorei o texto e concordo com seu ponto de vista.
    Tinha assistido à materia pela internet também (depois de ver os comentários no twitter), mas ainda não tinha visto o video com a camera escondida. Muito legal.

  2. Parabéns, cara, pelo texto. Só um adendo: eu ainda acredito que o twitter seja uma rede social, pois depende majoritariamente da ligação entre usuários para existir. Sem a conexão direta entre um e outro(s) não existe o twitter, diferentemente de um blog, que eu estou lendo nesse momento, mas pouco sei sobre o resto da sua audiência.

    Mas você está certo ao afirmar que é uma ferramenta híbrida e mutante, pois permite várias utilizações.

  3. Híbrido, mutante, não definido.
    Medo elitista geek. Você tem razão, sim!

    Mas acredito que seja uma rede social. Independente de qual apropriação da ferramenta, ela é movida pelo “combustível gente”. Por uma rede de idéias que se propaga num grande “telefone sem fio” virtual. Um “tuit” de uma garota que participou da matéria foi levado a frente por seus amigos/seguidores, até chegar ao meu conhecimento. Por isso que minutos antes do próprio fantástico começar eu já sabia o que ia rolar. E é por esse mesmo combustível eu cheguei aqui e li seu texto.
    Já promovi eventos de música eletrônica e divulgava pelo Orkut. Apropriei ao meu modo a ferramenta e usava o perfil como um divulgador de novidades sobre uma festa.
    É por aí…

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