Coorporativismo, medo ou ignorância?

Penso que uma mistura dos três ingredientes resultou na declaração, no mínimo esquizofrênica, do presidente da FENAJ , Sérgio Murillo de Andrade sobre a notícia de que TV Brasil, emissora pública de tevê, pretende realizar a distribuição cerca de 15 mil telefones celulares, com recursos de gravação de vídeo e som para que os próprios sujeitos tornem-se co-autores das informações veículadas na TV Brasil.

Essas pessoas, que receberão, os aparelhos, formarão uma rede de “repórteres espontâneos”, para enviar notícias sobre o seu ambiente sócio-cultural.

A declaração do presidente da FENAJ, acerca dos “repórteres espontâneos” foi a seguinte:

“Jornalismo é responsabilidade de jornalistas. Essa proposta só serve pra tumultuar e colocar água no moinho dos que torcem e se mobilizam para inviabilizar a TV pública”

O jornalismo ainda é visto sob a ótica moral do interesse público. O discurso do Sérgio Murillo reforça o campo social dos jornalistas, regado a privilégios e status. “Jornalismo é responsabilidade de jornalistas” dá conta de manter o acesso à este campo, visto que permanece a visão esquizofrênica de que só pode ser jornalista quem possui diploma e, o pior: o diploma é visto como garantia qualitativa na produção de conteúdo.

O discurso revela também o medo com o terceiro estágio do desenvolvimento tecnológico, ou seja a ubiquidade, que caracteriza-se por:

A metáfora aqui é a rede. O conhecimento valoriza a sabedoria das multidões e a produção coletiva de conteúdos. Esse movimento rompe com a concepção passiva das massas, para um público ativo, co-autor das mensagens e significados culturais. A autoria propõe as assinaturas coletivas, retorno ao autor anônimo, surgem as licenças livres (Creative Commons) e o copyleft, em contraponto aos direitos autorais e o status da propriedade intelectual.

Co-autoria. Fato que os jornalitas precisam compreender o mais rápido possivel. Jogar no lixo a “tese” da passividade do público, analisar como a liberação do polo emissor pode colaborar no “fazer” jornalistico.

“Isso leva ao descrédito a reportagem e o próprio jornalismo”, disse o presidente da FENAJ, acerca dos efeitos dos “repórteres espontâneos”.

O descrédito da reportagem, meu caro presidente resulta da má atuação dos jornalistas e das empresas midiaticas. Temer que a co-autoria leve ao descrédito…ignorância.

Anúncios

Potencialize o diálogo. Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s