Salvador Shopping: a arquitetura da nudez

“ A arquitetura pós-moderna declara o fim de todos os sistemas de significados”. (Castells)

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Foi a única conclusão que cheguei após o contato com o Salvador Shopping. Em “A sociedade em rede”, Manuel Castells abordou a questão da arquitetura pós-moderna e sua relação com o espaço x tempo e as influencias sobre a reconfiguração da sociedade.

 

Para ele

“a arquitetura escapa da história e cultura de cada sociedade e torna-se refém do novo e admirável mundo imaginário das possibilidades ilimitadas que embasam a lógica transmitida pela multimídia”

 

Multimídia, palavra-chave para conceituar o novo shopping. O design é ultra-moderno, certamente inspirado no MegaZord dos Power Rangers, com altas dosagens de 3D. Diria até, que ao entrar no Salvador Shopping a experiência é como atravessar um portal que leva-nos a outra dimensão.

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Apesar de existirem fotos na parte externa do empreendimento, que caracterizam a Bahia, sem falar no nome, o projeto reafirma a tese de Castells quando aponta que o objetivo da arquitetura pós-moderna

“é a de criar um estilo de vida e de projetar formas espaciais para unificar o ambiente simbólico da elite em todo o mundo, conseqüentemente substituído a especificidade histórica de cada local”.

 

No espaço destinado à alimentação conversei com uma senhora, que assim como eu, visitava pela primeira vez o Salvador Shopping. A sensação que o local despertou nela foi narcotizante, uma fuga da realidade. A gente que é acostumada a ver lixo e buraco, quando chegamos aqui é como se fosse outro mundo, tudo limpinho, organizado, gostei muito, disse comparando a sua realidade com a anti-realidade (representada aqui com o Salvador Shopping). Para alguns amigos cosmopolitas, que transitam em outros países, nenhum a novidade. É como se estivessem em shopings da Espanha, Alemanha…enfim..

 

Volto ao Castells.

“O espaço de poder e riqueza é projetado pelo mundo, enquanto a vida e a experiência das pessoas ficam enraizadas em lugares, em sua cultura, em sua história”.

 

Preferi caminhar até o ponto de ônibus pelo lado de fora buscando entender o que representava aquele imenso monumento faraônico. Em mente só o conceito “arquitetura da nudez” do Casltells.

“A arquitetura cujas formas são tão neutras, tão puras, tão diáfanas, que não pretendem dizer nada. E ao nada dizer, elas comparam a experiência com a solitude do espaço de fluxos. Sua mensagem é o silêncio”.

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3 Respostas para “Salvador Shopping: a arquitetura da nudez

  1. Não me fale em Salvador Shopping! Estou trabalhando nesse inferno!
    Enquanto não chega nada em minha área, ficarei por lá! rsrs…
    Beijos,
    Saudades…

  2. Como arte, o shopping até merece ser admirado e chamado de belo. Mas se for criticado a questão de que o shopping foi projetado pra ser a cara da bahia e dos baianos (pelo menos era isso o que diziam quando o prédio estava sendo construído), não é bem isso o que parece. Parece mesmo é que a obra foi transportada de um lugar de realidade totalmente diferente e foi parar lá.

  3. meu nome é Elton. trabalho no salvador shopping vejo muitos clientes falando, que o shopping deveria ter mais espaco de lazer como areas de esportes, como tenis, golf etc. mais ná questão de ser moderno isso ele é

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