Iguana, o Sol é uma fraude e eu odeio biologia

Sentado, frente ao teclado, tornou-se imóvel como a iguana que passou a habitar sua casa. De onde veio e para onde ia, sabe-se lá…Fora encontrada em seu estado natural: parada.  Estática, procura assemelhar-se ao ambiente para não ser notada. O disfarce não serviu para ela, mas para ele sim.

Pensou em passar toda aquela tarde acompanhando seus passos. Passos?. Não havia passos, movimentos, a bicha não se bulia. Sem se bulir, ele permaneceu. Ela também.

Como pode uma criatura chegar aos dois metros sem esforço? Agora, olhou, comparou e sem nenhuma noção sobre a metragem pensou com o seu pensamento (único em sua mente): deve ter um metro!

– Exótica, assustadora, serena, verde…

Tirava do seu mísero vocabulário a melhor definição para o calango de pele escamosa, cauda longa, olhos mortos, unhas afiadas. Como se chama esse negócio que começa na ponta do nariz (demorou 3 horas se perguntando como era a respiração da iguana) e finda no rabo? Moicano… É isso!

Eufórico, colocou RAMONES no volume máximo. Quem sabe a iguana tenha sido o primeiro animal punk do mundo? Mas nada… Hey, ho  let’s go! não serviu para “agitar” o calango verde, para ele, a essa altura, já entediado por estar parado, as lembranças do movimento punk cediam espaço para a horripilante matéria que tinha lido sobre a tribo de índios dos E.U.A. , hoje extinta. Moicanos, era o nome da tribo.

Resolveu deitar ao lado da iguana, que assim como as mulheres que arregalam as pernas para tomar sol no corpo (quiça no sexo), derretia o seu verde-paralitíco do seu pequeno corpo e enorme rabo diante da maior fraude do sistema solar: o Sol, que não é a estrela mais potente e, sim, Aldebarã. O pseudo-filósofo sabia disso e tantas coisas mais, e não só as verdades universais, mas também os segredos obscuros, materialismo histórico, dialética, cibercultura e até era capaz de formular a sua própria tese.

Acordou delirando.

Sua professora de biologia, com quem tiveram noções práticas sobre reprodução humana (sim, isso mesmo, eles treparam) misturava gemidos e explicações sobre a necessidade fisíco-química-biológica da iguana tomar banho de sol. Ele destestava biologia, mas suspirava pela professora.

– Sem o sol sua pele ficará ressecada – substitui o gemido final do triunfo do orgasmo por esta frase, a professora que deixou cair seu corpo suado, junto ao dele, exausto, depois da longa cavalgada.

Era noite, o pseudo-filósofo com o seu olhar analítico, semelhante ao olhar de Newton ao contemplar a maçã caindo, notou a ausência da iguana. Não tinha professora de biologia, muito menos iguana, nem o sol, Aldebarã, Marx…apenas uma longa constelação de desespero e angústia:

Ausência de movimento para iguana é o X da sobrevivência. Estático, deitado, sozinho, sem cauda, unhas afiadas e pele esverdeada citou uma das suas frases da filosofia barata:

-Eu sou um triste!

Antes do suspiro final, entendeu a sua condição dialética: a ausência de seus próprios movimentos era a prova dos nove de que valor algum tinha a sua existência, um zero a esquerda.

Enquanto isso, a dois metros do seu corpo inerte, a iguana comia cautelosamente cada pedaço de mamão.

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