Jornalismo na Internet, parte 2

No segundo dia de atividades do mini-curso “Jornalismo na Internet”, realizado pelo GJOL, o debate teve como foco: “Blogs, esfera pública y periodismo ciudadano”. A palestra foi proferida pelo Prof. Dr. Guillermo López (Universidad de Valencia).

<<Podcast  da palestra>> 

López fez um comparativo entre a configuração da esfera pública na sociedade de massa com as configurações de tal esfera em uma sociedade em rede.

Segundo ele, a sociedade de massa é caracterizada por:

  • Separação entre a esfera pública central e esferas públicas periféricas;
  • Processo de debates fortemente hierarquizados e unidirecional;
  • A busca dos grupos ideológicos pelo domínio da esfera pública, o que pode garantir, consequentemente a opinião do público;
  • O fluxo comunicacional se dá: um-todos.

Já na sociedade em rede:

  • Existe comunicação entre as esferas pública (central x periférica)
  • Os meios de comunicação são formatados em rede, o que possibilita a descentralização do debate.
  • O fluxo comunicacional torna-se multidirecional e em vários níveis.

López destacou que a internet proporcionou o aumento de veículos/ofertas de informação, o que trouxe maior diversidade e pluralidade. Outro ponto “positivo” foi a liberação do pólo emissor, potencializando novas vozes e discursos.

Durante o debate surgiram alguns questionamentos sobre a relação entre a nova mídia com os medias tradicionais, principalmente no que diz respeito à manutenção dos mass media como pólo central do preenchimento da esfera pública e como fonte para a produção de conteúdo das novas mídias.

Creio que a internet proporcionou poucas rupturas, mas grandes continuações, no jornalismo, algo como uma remediação, onde o “novo” não surge para aniquilar o antigo, mas para complementar, remixar….

O prof. Marcos Palacios entende este processo como um alargamento do campo jornalístico. A grande ruptura que a internet proporcionou, defende Palacios,  foi a “quebra dos limites espaciais e temporais, que possibilitou ao jornalismo novas interfaces produtivas e conceituais e a liberação do pólo emissor, que reconfigurou os papeis/status do emissor e receptor, tornando-os interagentes nos processos comunicacionais”.

Jornalismo Open Source

E por falar em nova mídia, selecionei a parte da palestra onde o professor da Universidad de Valencia, abordou o jornalismo open source, ou periodismo ciudadano, no idioma dos hermanos. Conceitos, experiências, desafios e oportunidades você encontrará ao assistir o vídeo.

6 Respostas

  1. Neste período voltei a estudar Habermas. Parando pra pensar, acredito que muito do que ele diz, também pode ser aplicado na internet.

    Habermas aponta que as coisas devem ser constituídas a partir de uma permanente razão comunicacional. Isso pressupõe o carater provisório de uma saber até que venha alguem e, por meio de argumentos e contra-argumentos o grupo que debate uma determinada questão chega a um novo consenso – que, hipoteticamente, também é provisório. A base é o diálogo.

    Nesse sentido duas caracteristicas que vc aponta da sociedade em rede me chamam atenção:

    “- Os meios de comunicação são formatados em rede, o que possibilita a descentralização do debate.

    - O fluxo comunicacional torna-se multidirecional e em vários níveis”

    Isso me lembra muito o pensamento habermasiano para quem o que deve existir é a intersubjetividade onde o conhecimento é alcançado pela racionalidade centrada na comunicação.

    té mais!

    Ez

  2. Com certeza, essa facilidade de publicação e acesso aos conteúdos na web, é mais uma arma de democratização nos fluxos comunicacionais.
    “Espertos” serão aqueles que souberem utilizá-los de uma forma polêmica e inovadora.
    Beijos,
    Continue escrevendo!

  3. Viu nem precisei ir é só lê seu blog que aprendo tudo!! Te amo você é meu Xangô disfarçado um Deus que se faz de tolo…

  4. Tu comentario no sólo me parece muy oportuno, Ezequiel, sino que es, en lo que a mi conferencia se refiere, totalmente correcto. De hecho, la parte inicial de mi conferencia, que surge de un artículo publicado en España (pongo el link por si puede interesarte, a ti o a cualquier otro: http://www.ehu.es/zer/zer20/zer20_15_lopez.pdf), es un intento de adaptar el modelo de esfera pública habermasiano (partiendo del análisis de un profesor español que, al igual que yo, se inscribe en esta corriente, Víctor Sampedro) a las características de la comunicación digital y los cambios sociales que, al menos potencialmente, implica.

    De todas maneras, también hay que precisar que el propio Habermas presenta, sobre todo en sus obras más recientes (como -en español- “Facticidad y Validez”, de finales de los años noventa), su teoría como un desideratum que aún no se ha alcanzado, y que en algunos aspectos quizás no se alcance. En fin, perdonadme si soy pesado con esta intervención, pero la verdad es que lo de Habermas me resulta muy cercano :)

    Por cierto, muchas gracias, Yuri, por tu esfuerzo al hacer las crónicas de este curso.

    Un cordial saludo

    Guillermo López

  5. Grato Ezequiel e López pelos comentários. Sem dúvida Habermas é uma excelente referência para pensar a esfera pública.
    Monique e Suzana, meus amores…obrigado pelo apoio.

  6. [...] Parte II - Blogs, esfera pública y periodismo ciudadano. Prof. Dr. Guillermo López (Universidad de Valencia). Neste caso, duas características apontadas na postagem como sendo da sociedade em rede me chamaram atenção: [...]

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